"Somos os únicos, neste momento, que temos acesso às populações afetadas em Cabo Delgado. Estamos a dar apoio alimentar a 33 mil pessoas que foram obrigadas a deslocar-se devido à violência", adiantou Pedro Matos, estimando que estão a ser fornecidas cerca de 500 toneladas de alimentos por mês, através de mais de uma centena de pontos de distribuição.

No distrito insular do Ibo encontram-se aproximadamente 1.350 pessoas, outras fugiram para aldeias próximas e há também quem se tenha refugiado na vizinha Tanzânia, referiu.

As informações sobre as motivações e os grupos que estão por detrás dos ataques, que já provocaram a morte de cerca de 200 pessoas, são escassas, especulando-se que estejam ligados a extremistas islâmicos ou ações de sabotagem contra as petrolíferas que exploram recursos na região.

O Governo reforçou as operações militares após os primeiros ataques a alvos ligados à petrolífera norte-americana Anadarko, em fevereiro, “mas o ritmo dos ataques não tem diminuído”, observou Pedro Matos.

Num ano de El Niño, um fenómeno climático caracterizado pelo aquecimento das águas que afeta os padrões do vento e da chuva, o PAM está ainda a apoiar 240 mil pessoas nas províncias de Gaza e Tete e mais de um milhão afetadas pelo ciclone Idai, no mês passado.

O norte do país está a preparar-se para a chegada de uma tempestade tropical, em formação no oceano Índico, que deve trazer ventos fortes e chuvas torrenciais à região.

Segundo um comunicado do Instituto de Meteorologia moçambicano, a depressão atmosférica poderá chegar à fase de "tempestade tropical severa ao aproximar-se da costa norte de Moçambique, nos próximos dias, afetando a região norte de Cabo Delgado e o sul da Tanzânia", conclui.

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