O Comando Geral da Polícia confirmou, esta terça-feira (08.10), que quatro dos cinco principais suspeitos de envolvimento no assassinato de Anastácio Matavel são agentes da polícia afetos à Subunidade de Intervenção Rápida em Gaza, em serviço no Grupo de Operações Especiais (GOE) naquela província.

Em conferencia de imprensa, o porta-voz do Comando Geral da Polícia, Orlando Mudumane, informou que os quatro agentes e um civil indiciados de envolvimento no crime estão "todos devidamente identificados nos autos".

Orlando Mudumane disse que a corporação "repudia e condena de forma veemente a conduta criminosa daqueles agentes".

"O comandante-geral da Polícia, Bernardino Rafael, ordenou a suspensão do superintendente da polícia, Alfredo Naifane Macauacua, das funções de comandante da Subunidade de Intervenção Rápida de Gaza e de Tudelo Macauze Mechicho Girrugo, das funções de comandante da Companhia do Grupo de Operações Especiais da província de Gaza," revelou.

Orlando Mudumane disse ainda que o comandante geral da Polícia ordenou, igualmente, a criação de uma comissão de inquérito que "tem o prazo de 15 dias para apresentar um relatório pormenorizado sobre o facto, reiterando tudo fazer para o apuramento do móbil e toda a verdade material inerente àquele crime macabro".

Assassinado a tiros

Anastácio Matavel foi alvejado a tiro, na segunda-feira (07.10) quando os atacantes seguiram a sua viatura à saída de uma cerimónia de abertura de uma ação de formação no âmbito dos preparativos para a observação eleitoral independente do escrutínio de 15 de outubro próximo. Dois suspeitos foram detidos.

A Sala da Paz, uma plataforma de observação eleitoral conjunta, da qual a vítima fazia parte como ponto focal, quer ver o caso esclarecido rapidamente.

"Queremos pedir e apelar à consciência de todos os moçambicanos, sobretudo às entidades que estão ligadas ao processo de investigação criminal, para poder o mais breve possível explicar as razões profundas que estão por detrás deste ato macabro," declarou Albino Massuei, porta-voz da ONG.

Apelos por justiça

Ainda em Maputo, a Missão de Observação Eleitoral da União Europeia condenou o assassinato sublinhando que "a observação nacional é uma componente fundamental de um processo eleitoral credível".

"Qualquer ato que afete ou limite a capacidade dos observadores nacionais em desempenhar o seu papel essencial é um obstáculo inaceitável à transparência das eleições e ao respeito pela participação dos cidadãos", refere em comunicado a MOE da União Europeia.

Já a organização não governamental moçambicana Centro de Integridade Pública (CIP) não só condena o assassinato, como exige um pronunciamento público do candidato da Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO) e Presidente da República, Filipe Nyusi.

Por seu turno, o Centro de Aprendizagem e Capacitação da Sociedade Civil considera "inconcebível que situações desta natureza estejam a acontecer sob o olhar impávido de quem tem o dever de zelar pela segurança dos cidadãos, permitindo que os crimes aconteçam de forma constante e os autores permaneçam impunes".

por: Leonel Matias (Maputo)

 

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