De acordo com o Conselho Militar de Manbij, que faz parte das Forças Democráticas da Síria (FDS), homens armados abriram fogo e mataram sete dos seus membros num posto de controlo, isto na noite de segunda-feira.

O Observatório Sírio para os Direitos Humanos (OSDH) confirmou este balanço. Três outros combatentes das forças curdas ficaram feridos, segundo a mesma fonte.

O EI reivindicou este ataque através de uma mensagem publicada na sua conta na rede social Telegram. "Soldados do califado atacaram um posto de controlo das FDS e foram confrontados com metralhadoras", refere o texto.

Este é o primeiro ataque do EI contra as forças que as combatem, apoiadas pelos Estados Unidos, desde a anunciada queda de ‘califado’ no sábado, em Baghuz, leste da Síria.

"Depois da vitória contra o EI, entrámos na era das células [terroristas] adormecidas", declarou à agência de notícias AFP o porta-voz do Conselho Militar de Manbij, Sherfan Darwich. "Estascélulas são ativadas para realizar ataques, mas vamos por fim às suas operações", acrescentou.

Trata-se do pior ataque contra Manbij desde o que foi reivindicado pelo EI em janeiro, em que morreram 19 pessoas, incluindo quatro norte-americanos das forças de coligação, salienta o diretor do OSDH, Rami Abdel Rahman.

O grupo ultrarradical, que já reivindicou vários ataques contra esta localidade, está também a instigar os seus membros a cometer ataques contra os contingentes curdos, num ato que diz ser de "vingança".

Manbij era um dos bastiões do EI na Síria antes de ser retomado pela via militar. De acordo com o OSDH, centenas de combatentes das Forças Democráticas da Síria perderam as suas vidas na Síria desde agosto, em ataques atribuídos às células adormecidas do EI.

Perigo escondido

Vários guerrilheiros jihadistas do EI, que se escondiam em cavernas durante a queda gradual do seu ‘califado’ em Baghuz, renderam-se no domingo as forças curdo-árabes, conforme informaram as Unidades de Proteção do Povo (YPG), milícia curda que é a espinha dorsal das FDS.

As FDS anunciaram no sábado a vitória sobre os jihadistas em Baghuz, colocando um ponto final ao autoproclamado califado do EI, o qual ganhou forma em 2014 e chegou a ocupar amplos territórios na Síria e Iraque. Neste último país, o EI foi derrotado em dezembro de 2017.

Para celebrar a vitória, os combatentes das FDS hastearam a sua bandeira amarela em Baghuz, onde os extremistas resistiram até o fim.

Durante os seis meses em que durou a ofensiva, mais de 630 civis foram mortos, números prestados pelo Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH). Também morreram quase 1.600 jihadistas e 750 combatentes das FDS.

De acordo com os dados mais recentes, divulgados pelas FDS, mais de 66 mil pessoas abandonaram esta área do leste da Síria desde o início de janeiro, incluindo cinco mil jihadistas e 24 mil membros das suas famílias.

Entretanto, as autoridades curdas sírias alertaram para uma eventual fuga de jihadistas e, ainda, para o abandono de crianças que foram expostas à propaganda do EI. Segundo elas, esta conjuntura representa um grande perigo.

Nos campos de deslocados estima-se que esteja mais de 3.500 filhos de jihadistas, procedentes de mais de 30 países, segundo a ONG Save The Children.

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