“Nos últimos tempos, o nosso povo viu como alguns daqueles em quem eles depositaram a sua confiança se renderam à tentação do poder e da riqueza. Viram algumas das instituições da nossa democracia ser desgastadas e os recursos desperdiçados”, referiu Cyril Ramaphosa, sublinhando que, ainda que os desafios que o país enfrenta sejam reais, “não são intransponíveis” pois “podem ser resolvidos. E nós vamos resolvê-los”.

Falando na cerimónia que teve lugar esta manhã, num estádio da capital, Pretória, o Presidente sul-africano deixou várias mensagens de esperança e a promessa de contribuir para “construir a África que todos os africanos querem”.

“Hoje, reafirmamos nossa determinação em trabalhar com nossas irmãs e irmãos em todo o continente para concretizar a visão da União Africana sobre a Agenda 2063” e para “criar uma área livre de comércio” que se estenda da Cidade do Cabo (África do Sul) ao Cairo (Egipto), “trazendo crescimento e oportunidade a todos os países africanos”, disse ainda Cyril Ramaphosa.

Os presidentes de Angola, João Lourenço, e de Moçambique, Filipe Nyusi, assistiram à cerimónia de tomada de posse de Cyril Ramaphosa, que contou ainda com a presença dos chefes de Estado da República Democrática do Congo e do Zimbabué, entre vários outros líderes africanos.

Lembrando os 25 anos que passaram desde que Nelson Mandela se tornou o primeiro Presidente de uma África do Sul Democrática, com o fim do regime do 'Apartheid', e dizendo algumas frases em língua zulu, sublinhou que, de então para cá, o país conheceu tempos de abundância e de escassez e também conheceu momentos de dúvida, apelando à realização de um pacto “para um Estado livre de corrupção” e com autoridades eleitas e funcionários públicos que “não sirvam mais” do que o bem público.

Cyril Ramaphosa foi proclamado por unanimidade da Assembleia Nacional da África do Sul como Presidente da República, na sequência das eleições gerais de maio.

O líder sul-africano, que é também presidente do Congresso Nacional Africano (ANC, na sigla inglesa), havia sido nomeado chefe de Estado em fevereiro de 2018, depois de o partido no poder ter forçado o seu antecessor, Jacob Zuma, a renunciar ao cargo (2009-2018) por múltiplos escândalos de corrupção.

Jacob Zuma, que tem negado as acusações que lhe são feitas alegando que têm motivações políticas, não esteve hoje presente na cerimónia de tomada de posse.

Na sequência das eleições legislativas de 08 de maio, a Comissão Eleitoral Independente atribuiu 230 dos 400 assentos no parlamento ao ANC, o que representa a menor margem de sempre alcançada pelo partido no poder desde a queda do 'apartheid', em 1994.

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