“O FOCAC refuta a visão de que o neocolonialismo está a tomar conta de África” e a “relação que foi forjada” através desta plataforma “é fundamental e inalienável no direito dos africanos determinarem o seu próprio futuro”, argumentou Ramaphosa.

“O progresso conseguido nos últimos 18 anos demonstra claramente o tangível e durável benefício do FOCAC para a população de África e da República Popular da China”, acrescentou.

Para o Presidente sul-africano, a premissa desta cooperação “vai ao encontro da agenda 2063 da União Africana, uma visão que foi imaginada em África e pelos próprios africanos” e que visa assegurar um continente inclusivo e pacífico.

“É a visão de um continente em que o comércio, investimento, competências e conhecimento circulam livremente pelas fronteiras que nos foram impostas pelos colonizadores”, sublinhou Cyril Ramaphosa.

O Presidente chinês, Xi Jinping, anunciou hoje, na abertura da cimeira do FOCAC, em Pequim, um pacote de 60 mil milhões de dólares (51 mil milhões de euros) para países africanos, no formato de assistência governamental e de investimento e financiamento de instituições financeiras e empresas.

Xi Jinping falava no Grande Palácio do Povo, o parlamento chinês, perante dezenas de chefes de Estado e de Governo do continente africano, no arranque da terceira cimeira do FOCAC, em que pela primeira vez, e durante dois dias, participam todos os países africanos de língua portuguesa, com o restabelecimento de relações diplomáticas entre a China e São Tomé e Príncipe.

Esta edição do fórum junta em Pequim, até terça-feira, dezenas de chefes de Estado e de Governo do continente africano.

A cimeira conta com três novos países, incluindo São Tomé e Príncipe, que se junta aos restantes países africanos de língua portuguesa, Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau e Moçambique.

As restantes estreias são o Burkina Faso e a Gâmbia, que elevam assim para 53 o número de nações africanas com relações com a China.

Desde 2015, a média anual do investimento direto da China no continente fixou-se em 3.000 milhões de dólares (2.500 milhões de euros), com destaque para novos setores como indústria, finanças, turismo e aviação.

O primeiro Fórum de Cooperação China-África aconteceu em Pequim, em 2006, e a segunda edição decorreu na África do Sul, em 2015.