"Eu gostaria, nesse aspeto, de apelar aos nossos amigos que é bom que os apoios que tanto proclamamos sejam objetivos e concretos", disse Filipe Nyusi, falando num encontro com o corpo diplomático acreditado em Maputo, por ocasião do início do ano.

Nyusi assinalou que muitos países têm mostrado disponibilidade para ajudar o país a acabar com as ações armadas no norte do país, mas essa vontade não tem sido materializada.

"Quando perguntamos sobre como querem apoiar, não dizem nada, não há coisas concretas", sublinhou o chefe de Estado moçambicano.

A ação de grupos armados, prosseguiu, conta com o envolvimento de estrangeiros e pode alastrar-se para outros países da África Austral.

"No mundo globalizado em que vivemos, os problemas internacionais não têm fronteiras e incidem de forma comum sobre os nossos países", enfatizou o chefe de Estado moçambicano.

Sobre os ataques em alguns troços de estrada no centro, que as autoridades moçambicanas atribuem a guerrilheiros da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo), Filipe Nyusi pediu à liderança do principal partido da oposição que promova um diálogo interno que acabe com divisões na organização.

"A liderança [da Renamo] devia ser mais proativa" na promoção de um "consenso interno", porque o país "não pode assistir impavidamente à violência", acrescentou Filipe Nyusi.

O Governo, prosseguiu, vai encorajar o principal partido da oposição a respeitar o Acordo de Paz e Reconciliação Nacional assinado em agosto do ano passado, visando assegurar uma maior celeridade ao processo de Desarmamento, Desmobilização e Reintegração (DDR) da guerrilha da Renamo.

Na região norte de Moçambique, mais concretamente na província de Cabo Delgado, Os ataques de grupos armados já provocaram pelo menos 350 mortos e 156.400 pessoas afetadas com perda de bens ou obrigadas a abandonar casa e terras em busca de locais seguros.

Na província de Cabo Delgado, estão a avançar as obras dos megaprojetos que daqui a quatro anos vão colocar Moçambique no 'top 10' dos produtores mundiais de gás natural e que onde há algumas empresas e trabalhadores portugueses entre as dezenas de empreiteiros contratados pelos consórcios de petrolíferas.

Na região centro, mais de 20 pessoas perderam a vida desde agosto do ano passado, devido a ataques armados a alvos civis e das forças de defesa e segurança, que as autoridades atribuem à Junta Militar da Renamo, um grupo dissidente da guerrilha da principal força da oposição.

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