"É difícil o que tenho de dizer", referiu o chefe de Estado, numa comunicação à nação.

"Mas neste contexto, atentos à situação real do país e devidamente aconselhado decidi prorrogar pela segunda vez o estado de emergência por mais 30 dias", até 29 de Junho, anunciou o Presidente da República.

A prorrogação foi ainda hoje remetida para a Assembleia da República para ratificação, acrescentou Nyusi.

O chefe de Estado justificou a medida com o aumento do número de infecções pelo novo coronavírus e o seu alastramento a todas as províncias do país, indiciando que o país passou a ter transmissão comunitária.

Moçambique registou hoje o segundo óbito por covid-19 e chegou ao total acumulado de 233 casos, com 82 recuperados.

O estado de emergência foi decretado em 01 de Abril e prorrogado pela primeira vez no final de abril, até 30 de maio.

O país vive com várias restrições: todas as escolas estão encerradas, espaços de diversão e lazer também estão fechados, estão proibidos todo o tipo de eventos e de aglomerações, recomendando-se à população que fique em casa, se não tiver motivos de trabalho ou outros essenciais para tratar.

Durante o mesmo período, há limitação de lotação nos transportes colectivos, é obrigatório o uso de máscaras na via pública, a emissão de vistos para entrar no país está suspensa, o espaço aéreo fechado e o controlo fronteiriço reforçado.

"A não observância do cumprimento das medidas [de prevenção] de forma individual e colectiva tem concorrido para o alastramento da pandemia no país", referiu hoje Filipe Nyusi.

A doença "está a atingir todas as faixas etárias, com maior incidência entre os jovens de 15 a 40 anos, relevando-se uma ameaça ao nosso futuro como nação", frisou.

O Presidente moçambicano referiu que as medidas previstas no estado de emergência pretendem responder ao desafio de conter o vírus e minimizar os danos económicos e sociais que um confinamento obrigatório provocaria.

"Estamos cientes da dureza" das medidas de contenção do novo coronavírus, salientou, apontando para uma contracção da economia moçambicana de 3,3% este ano e destacando a redução dos efectivos laborais.

Filipe Nyusi vincou que os sacrifícios "não têm sido em vão", admitindo que tem havido algumas vitórias no combate à pandemia, nomeadamente no que respeita ao uso de máscaras, maior controlo fronteiriço e respeito pelas restrições de funcionamento.

O cumprimento das restrições impostas durante o estado de emergência nas próximas semanas será determinante para controlar a propagação da covid-19, achatar a curva de infecções e evitar restrições mais severas, como um confinamento obrigatório, concluiu.

A nível global, segundo um balanço da agência de notícias AFP, a pandemia de covid-19 já provocou mais de 355 mil mortos e infetou mais de 5,7 milhões de pessoas em 196 países e territórios.

Mais de 2,2 milhões de doentes foram considerados curados.

A doença é transmitida por um novo coronavírus detectado no final de Dezembro, em Wuhan, uma cidade do centro da China.

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