"Há um movimento que procura enganar jovens, filhos dos outros, para se juntarem ao grupo de pessoas que fazem mal à população. Estão a enganar-vos", disse Filipe Nyusi, falando num comício no distrito da Maganja da Costa, na província da Zambézia, centro do país.

Para Filipe Nyusi, as atenções das populações jovens daquela província devem estar viradas para o trabalho e a produção, condições para o desenvolvimento do país.

"Estão a ser enganados e, caso aceitem essas propostas, vão viver nas matas para toda a vida. Os mandantes destes grupos nem estão nas matas", acrescentou o chefe de Estado, alertando que "quem mata pode ser morto".

"Maganja da Costa não é distrito que trabalha matando pessoas", concluiu o chefe de Estado moçambicano.

Em alguns pontos do Norte e Centro do país, especificamente em Cabo Delgado, Sofala e Manica, grupos armados têm protagonizado ataques armados contra viaturas civis, autoridades e aldeias.

Os ataques de grupos armados na província de Cabo Delgado eclodiram há dois anos em comunidades muçulmanas radicalizadas.

Pelo menos 300 pessoas já morreram, segundo dados oficiais e de testemunhas, e 60.000 foram afetadas ou obrigadas a abandonar as suas terras e locais de residência, de acordo com a mais recente revisão do plano global de ajuda humanitária das Nações Unidas.

Desde junho que o grupo 'jihadista' Estado Islâmico tem reivindicado alguns dos ataques, mas autoridades e analistas ouvidos pela Lusa têm considerado pouco credível que haja um envolvimento genuíno do grupo terrorista que vá além de algum contacto com elementos no terreno.

Por outro lado, no centro de Moçambique, nas províncias de Manica e Sofala, as autoridades responsabilizam o braço armado da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo) por uma série de ataques armados contra viaturas na Estrada Nacional Número 1.

Apesar de as autoridades estarem a responsabilizar os guerrilheiros da Renamo que permanecem na zona, alguns dissidentes da organização, o principal partido da oposição nega o envolvimento nos ataques, que já provocaram pelo menos 10 mortos.

O mesmo tipo de violência no centro de Moçambique aconteceu em 2015, em período pós-eleitoral, quando Afonso Dhlakama (antigo líder da Renamo) rejeitou a vitória da Frelimo, mas negando o envolvimento nos confrontos.

Desta vez, o cenário é ainda mais complexo depois de, em junho, um número incerto de guerrilheiros da Renamo chefiados por Mariano Nhongo se terem revoltado contra o líder do partido, Ossufo Momade, ameaçando desestabilizar a região.

No entanto, em contactos pontuais com a Lusa e outros órgãos de comunicação social, Nhongo tem negado serem os seus homens os autores destes ataques.

Em agosto passado, a Renamo e o Governo assinaram um acordo de paz.

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