"O centro de saúde de Macurungo passou de sexto para primeiro em termos de indicadores de saúde na região da Beira, o que é um sinal muito positivo para o futuro", disse o coordenador clínico da equipa, Valter Santos, no dia em que regressou de Moçambique.

O médico de Medicina Geral e Familiar na Unidade de Saúde Familiar do Marquês, em Pombal, Portugal, acrescentou que a visita da equipa “teve dois objetivos principais, sendo o primeiro a prestação de cuidados diretos à população, principalmente cuidados de emergência, pediátricos e de maternidade, mas também de formação".

"Identificámos também as lacunas que os profissionais de saúde locais teriam de assumir quando nos viéssemos embora e apostámos na formação, e o resultado é muito bom, só aprimorámos os conceitos com vista à autonomia completa dos profissionais de saúde locais", apontou.

Valter Santos notou grandes diferenças entre "alguns conceitos clínicos completamente estranhos à população e até aos profissionais de saúde”, previamente à chegada da primeira equipa, “e os atuais procedimentos instituídos”.

No seguimento dos ciclones que assolaram o país, a região da Beira, no centro de Moçambique, registou-se uma deterioração acentuada dos indicadores de saúde, surgindo diversas doenças que foram potenciadas pelas dificuldades de acesso a cuidados de saúde básicos.

"Há falta de higiene básica, há dificuldades práticas de estarmos instalados em tendas, as fraldas são de pano, o cordão umbilical dos recém-nascidos fica exposto à matéria fecal, e tem de haver uma preocupação com estes aspetos", explicou o médico.

O coordenador clínico da equipa da CVP salientou a necessidade de, no terreno, “serem feitas medições rigorosas, de haver uma avaliação rigorosa da febre, que não significa automaticamente a existência de malária".

O ciclone Idai atingiu o distrito de Sofala, afetando particularmente a cidade da Beira, na noite de 14 de março.

A CVP, em 24 de março, em articulação com a Cruz Vermelha Moçambicana e a Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e Crescente Vermelho (IFRC), transportou para a região no seu primeiro voo humanitário uma equipa médica e 35 toneladas de equipamento para montar um hospital de campanha, estabelecido em frente ao centro de saúde e maternidade de Macurungo, destruídos à passagem do ciclone.

Desde então, em rotação a cada 25 dias, integram o dispositivo desse hospital de campanha cerca de 20 elementos, designadamente médicos, enfermeiros, psicólogos, logísticos, bem como uma chefe de equipa.

Segundo informação na página da internet da CVP, foram registados, até ao momento, mais de 4.000 atendimentos, 2.535 consultas e 1.500 cirurgias, entre as quais 123 partos.

Prevê-se que a Operação Embondeiro termine em novembro de 2019, altura em que a CVP deixará o distrito moçambicano da Beira com a “capacitação de técnicos locais e com obras feitas”, garante a organização humanitária.

O ciclone Idai, que atingiu o centro de Moçambique, provou 604 vítimas mortais e afetou cerca de 1,8 milhões de pessoas.

Pouco tempo depois, Moçambique voltou a ser atingido por outro ciclone, o Kenneth, que se abateu sobre o norte do país em abril, matando 45 pessoas e afetando outras 250 mil.

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