"O melhor aproveitamento das oportunidades locais não deve ser feito através de políticas protecionistas, que não capacitem e preparem as empresas nacionais. Entendemos que tal atitude não favorece o surgimento de uma indústria saudável", disse Filipe Nyusi.

O chefe de Estado falava durante um seminário sobre oportunidades locais na exploração de gás natural na cidade de Pemba, província de Cabo Delgado, uma iniciativa promovida pelo Governo e a multinacional Anadarko.

Para Nyusi, as pequenas e médias empresas devem apostar em reforçar as suas qualificações técnicas e profissionais, garantindo padrões internacionais nas suas atividades, como forma de criar um tecido económico sustentável.

"Entendemos que só apostando na oferta de oportunidades justas poderemos, a médio e longo prazo, atingir uma participação significativa da indústria local com aptidão de ombrear como provedores de bens e serviços de outros países", afirmou.

Segundo Filipe Nyusi, o Governo tem como uma prioridade garantir a robustez do empresariado moçambicano para aproveitar as oportunidades que advêm da indústria extrativa, mas este processo deve ser pensado a longo prazo.

"[A indústria extrativa] é rentável, mas de forma bastante lenta", avisou o chefe de Estado, acrescentando que é necessário que se saiba investir para aproveitar a exploração dos recursos minerais no país.

A união entre os moçambicanos é vista pelo Presidente como condição para que o país aproveite os benefícios da exploração, evitando a "maldição dos recursos minerais".

A aposta na juventude é apontada pelo chefe de Estado como fundamental na exploração do gás na Bacia do Rovuma, uma estratégia que vai garantir que o país passe a ter mão de obra capacitada na área.

"É de congratular o facto de estarem a desenvolver projetos com instituições de ensino moçambicanas nestas áreas", observou Filipe Nyusi, que prevê uma "explosão da economia" moçambicana com a exploração das reservas de gás natural que o país possui.

O plano de desenvolvimento da Anadarko para exploração de Gás Natural Moçambique, que já foi aprovado pelo Governo, comporta um investimento de 30 mil milhões de dólares (mais de 26 mil milhões de euros), podendo gerar para o Estado no geral perto de 52 mil milhões de dólares (mais de 45 mil milhões de euros), em receitas médias de 2.1 mil milhões de meticais por ano a partir de 2025, segundo dados oficiais.

A Anadarko, que já emprega perto de duas mil pessoas na fase inicial do projeto, lidera o grupo de empresas que vai explorar o gás natural encontrado nas profundezas da crosta terrestre, sob o fundo do mar, na designada Área 1, 40 quilómetros ao largo da província de Cabo Delgado.

O investimento, um dos maiores de sempre em Moçambique, ainda não tem data para avançar, mas o consórcio está a realizar diversos trabalhos associados para que, logo que haja decisão final de investimento, prevista para o primeiro trimestre de 2019, a construção avance rapidamente.

Depois de extraído, através de perfurações, o gás será encaminhado por gasodutos para a zona industrial a construir em terra, na península de Afungi, onde será transformado em líquido e conduzido para navios cargueiros com contentores especiais para exportação.