"Nós não estamos distraídos e não nos podem distrair: estamos atentos os atos macabros que se estão a registar em alguns pontos no centro e, com alguma intensidade, no norte e não vamos deixar que o povo morra sem proteção", disse o chefe de Estado, falando ao país, durante as cerimónias centrais alusivas às celebrações de dia paz, que hoje se assinala.

Em causa estão ataques armados a viaturas registados desde agosto no centro do país, episódios que já causaram três mortes e vários feridos, e a violência armada em Cabo Delgado, no Norte, onde grupos desconhecidos têm atacado alguns pontos desde outubro de 2017.

Filipe Nyusi acrescentou que as Forças de Defesa e Segurança moçambicanas vão continuar com operações para defender as populações destes pontos, destacando que a paz e reconciliação deve ser assumida por todos moçambicanos.

"Até ao último soldado, as Forças de Defesa vão defender as populações. Não vamos deixar que isso continue", acrescentou Filipe Nyusi, reiterando que paz é condição fundamental para que Moçambique continue na luta pelo desenvolvimento.

"Exortamos para o espírito de paz e irmandade prevaleça, principalmente quando faltam poucos dias para um novo escrutínio em Moçambique", frisou o chefe de Estado, em alusão às eleições gerais de 15 de outubro.

A zona centro do país foi historicamente palco de confrontos armados entre forças governamentais e a Resistência Nacional Moçambicana (Renamo) até dezembro de 2016, altura em que as armas se calaram, tendo a paz sido selada num acordo subscrito em 06 de agosto último.

Permanecem na zona guerrilheiros, em número incerto, que formaram uma autoproclamada Junta Militar para contestar a liderança da Renamo e defender a renegociação do seu desarmamento e reintegração na sociedade.

O grupo de guerrilheiros já ameaçou por mais que uma vez recorrer às armas caso não seja ouvido - mas, por sua vez, também se diz perseguido por outros elementos desconhecidos e nega autoria dos ataques.

No Norte, por sua vez, alguns distritos da província de Cabo Delgado são alvo de ataques de grupos armados desde há dois anos, havendo relatos de violência quase todas as semanas, apesar do silêncio das autoridades.

De acordo com números recolhidos pela Lusa, a onda de violência já terá provocado a morte de, pelo menos, cerca de 250 pessoas, entre residentes, supostos agressores e elementos das forças de segurança.

O grupo 'jihadista' Estado Islâmico tem anunciado desde junho estar associado a alguns destes ataques, mas autoridades e analistas ouvidos pela Lusa têm considerado pouco credível que haja um envolvimento genuíno do grupo terrorista nos ataques, que vá além de algum contacto com movimentos no terreno.

Na quinta-feira, o ministro dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, José Pacheco, anunciou que a Rússia forneceu equipamentos militares a Moçambique para apoiar as forças governamentais no combate a grupos armados em Cabo Delgado.

As cerimónias centrais do feriado da paz em Moçambique decorreram na Manhiça, na província de Maputo, e celebram a assinatura do Acordo Geral de Paz, assinado em 1992, entre o Governo e o principal partido de oposição, a Resistência Nacional Moçambicana (Renamo), marcando o oficialmente o fim da guerra civil dos 16 anos no país.

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