“Há uma falta de coordenação entre nós e a China e, sobretudo, o embaixador da China na Guiné-Bissau. Temos de evitar fazer chegar os documentos à China sem fazer passar pela própria embaixada, que representa o Estado chinês na Guiné-Bissau. Como não trabalhamos corretamente, talvez por causa disso, também não beneficiamos muito”, afirmou o Presidente.

José Mário Vaz falava aos jornalistas no aeroporto Osvaldo Vieira, momentos após ter regressado de Pequim, onde participou na terceira cimeira do Fórum de Cooperação China-África.

“No próximo encontro que vou ter com o primeiro-ministro vai nascer no Ministério dos Negócios Estrangeiros uma célula focal, que vai realmente coordenar esse serviço juntamente com o embaixador da China e orientar tudo para que possamos nos próximos três anos utilizar o máximo possível os recursos que estão previstos a nível dos 60 mil milhões de dólares”, disse.

Durante a cimeira de Pequim, que se realizou segunda e terça-feira, o Presidente chinês, Xi Jinping, anunciou 60 mil milhões de dólares (51 mil milhões de euros) em assistência e empréstimos para os países africanos, nos próximos três anos, e um perdão da dívida para as nações mais pobres.

Em Pequim, as autoridades guineenses e chinesas assinaram também três protocolos para a vinda de mais médicos chineses para Bissau, oferta de arroz e para um projeto agrícola.

Segundo o Presidente guineense, o donativo de arroz tem o valor de três milhões de dólares (cerca de 2,5 milhões de euros) e o projeto agrícola ronda os 14 milhões de dólares (cerca de 12 milhões de euros).

“É possível fazer muita coisa e em pouco tempo com a China, mas há um problema de organização”, disse, mas salientou que a Guiné-Bissau não pode continuar dependente do apoio da comunidade internacional.