De manhã, na sede do partido, ensaiam-se hinos e definem-se as estratégias para “atacar” mais um bairro, quando faltam poucos dias para o fim do período de “caça ao voto”.

Equipados com megafones, aparelhagem de som improvisada numa carinha de carga e cartazes, são poucos mais de duas dezenas de simpatizantes.

O destino é o Bairro Ferroviário, nos subúrbios da capital moçambicana, onde Venâncio Mondlane, assessor particular do candidato presidencial da Renamo, Ossufo Momade, e mandatário do partido, quer deixar a promessa de tornar o país “livre e democrático”.

“Nós queremos restabelecer o Estado de direito democrático. É preciso restabelecer a liberdade de imprensa e o direito à informação”, que formalmente estão consagrados, mas na prática falham, disse à Lusa Venâncio Mondlane.

O dirigente acusa o partido no poder em Moçambique desde a independência, a Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo), de promover a agressão e assassínios de opositores ou críticos.

A Frelimo foi o partido que “levou o país às dívidas [ocultas do Estado] e à falência”, acrescentou Venâncio Mondlane, que lidera a lista de candidatos a deputados pelo círculo eleitoral da cidade de Maputo.

No bairro Ferroviário, a Renamo bateu à porta até de quem ainda não pode votar, como é o caso de Ana Macuacua, de 17 anos, a quem deixou a missão de “passar a mensagem para os pais”.

“Tem de persuadir o papá e a mamã para votar na Renamo”, disse à jovem um simpatizante do partido, que promete que o partido vai garantir educação gratuita – sem taxas de inscrição ou outros custos – até à 10.ª classe.

Enquanto a ação decorre, numa campanha que termina no sábado, há ainda simpatizantes a colarem panfletos em postes do bairro, motivados por hinos e gritos, em língua local, que clamam por alternância de poder.

Em 15 de outubro, 12,9 milhões de eleitores moçambicanos vão escolher o Presidente da República, dez assembleias provinciais e respetivos governadores, bem como 250 deputados da Assembleia da República.

Esta vai ser a primeira vez que os governadores vão ser eleitos – em vez de nomeados pelo Presidente da República -, velha aspiração da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo), principal partido da oposição.

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