O atual Presidente guineense, José Mário Vaz, tem sido alvo de investigações pela justiça do país sobre o paradeiro do dinheiro doado por Angola à Guiné-Bissau em 2012, quando exercia as funções de ministro das Finanças, no Governo liderado por Carlos Gomes Júnior.

Numa recente entrevista à Lusa e RTP, José Mário Vaz considerou ser este momento oportuno para um esclarecimento cabal do paradeiro desse dinheiro porque todos os protagonistas se encontram na Guiné-Bissau. Carlos Gomes Júnior mostrou-se aberto e confiante na justiça se esta pretender esclarecer o caso.

Em conferência de imprensa hoje, o líder do PUN (partido extraparlamentar), Idrissa Djaló, defendeu que mais do que trocas de galhardetes entre José Mário Vaz e Carlos Gomes Júnior, era preciso que Angola e Portugal ajudassem a esclarecer os contornos do dinheiro da polémica.

"Angola tem que nos dizer para que instituição financeira foi esse dinheiro e na conta de quem. As mesmas perguntas são dirigidas a Portugal, que tem obrigação de ajudar o povo da Guiné-Bissau", afirmou Idrissa Djaló.

O dirigente guineense, um dos mais conhecidos adversários do Presidente do país, acredita que "Portugal tem uma palavra a dizer" na medida em que o dinheiro em causa, após sair de Angola entrou primeiro num banco português, "em contas privadas de individualidades" da Guiné-Bissau, antes de chegar a Bissau, disse.

"Isso é branqueamento de capital", considerou Djaló, que espera das autoridades portuguesas a mesma firmeza que se vê nos outros países de Europa perante dirigentes africanos que roubam e depositam dinheiros dos seus povos em bancos europeus, enfatizou.

O líder do PUN não tem dúvidas de "houve crime" na forma como os 12 milhões de dólares (10,6 milhões de euros) foram utilizados, mas também acredita que a intervenção das autoridades bancárias, Ministério das Finanças e Ministério Público portugueses irá ajudar a esclarecer o rasto do dinheiro.

"Provavelmente, não vamos reaver esse dinheiro, mas queremos que as autoridades de Angola e de Portugal saibam que esse dinheiro limpo, que depois virou dinheiro sujo, fez parte de objeto de violência na Guiné-Bissau", sublinhou Idrissa Djaló.

O político guineense sustentou ainda que Angola e Portugal devem ter a noção de que "boa parte das matanças" (assassínios de dirigentes) ocorridas entre 2008 a 2012 "foi financiada com aquele dinheiro", quando Carlos Gomes Júnior era primeiro-ministro e José Mário Vaz era ministro das Finanças, disse Djaló.

Naquele período, foram assassinados em processos ainda por esclarecer, entre outros, o então Presidente da Guiné-Bissau, João Bernardo "Nino" Vieira, o chefe das Forças Armadas, Tagmé Na Waié, e os ministros e deputados Helder Proença, Baciro Dabó e Roberto Ferreira Cacheu.

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