"Mais uma vez, é um ataque protagonizado pelos homens armados da Renamo [Resistência Nacional Moçambicana]", disse o comandante provincial da Polícia em Sofala, Paulique Ucacha, falando à comunicação social no local do ataque.

O ataque visou um autocarro que transportava cerca de 40 pessoas, que se deslocavam de Maputo para um retiro de uma seita religiosa no Norte do país, e foi alvejado pouco depois do nascer do sol, pelas 05:30 locais na estrada nacional 1 (EN1) em Matenga, distrito da Gorongosa.

Segundo a polícia, a descrição das pessoas que presenciaram o ataque sugere que tenham sido homens armados da Renamo.

"De acordo com as testemunhas, os homens trajavam uma farda verde e só a Renamo usa essa farda aqui", acrescentou Paulique Ucacha.

A polícia moçambicana disse ainda que a corporação está agora nas matas à procura dos autores do ataque e, na EN1, foi reforçada a segurança.

"As nossas posições já têm os homens destacados e em prontidão para responder", reiterou.

As autoridades têm responsabilizado guerrilheiros da Renamo que permanecem na zona, alguns dissidentes da organização, enquanto o principal partido da oposição nega o envolvimento, tendo hoje, durante uma conferência de imprensa, recusado pronunciar-se sobre este assunto.

O local onde o ataque decorreu fica 40 quilómetros a sul da vila da Gorongosa e junto aos pontos onde já ocorreram outros ataques contra viaturas da polícia e autocarros.

No mesmo lugar foi hoje queimada uma barraca que servia de sede da Renamo, já depois do ataque ao autocarro, disse fonte militar à Lusa.

As forças de defesa e segurança de Moçambique têm duas posições no local, mas não conseguiram evitar o ataque ao autocarro.

A cerca de 500 metros há algumas habitações e parte da população fugiu depois de ouvir os disparos, acabando por regressar às casas, horas depois, com o apoio dos militares no local.

O mesmo tipo de violência naquela região aconteceu em 2015, em período pós-eleitoral, quando Afonso Dhlakama (antigo líder da Renamo) rejeitou a vitória da Frelimo, mas negando o envolvimento nos confrontos.

Desta vez, o cenário é ainda mais complexo depois de, em junho, um número incerto de guerrilheiros da Renamo chefiados por Mariano Nhongo se terem revoltado contra o líder do partido, Ossufo Momade, ameaçando desestabilizar a região.

No entanto, em contactos pontuais com a Lusa e outros órgãos de comunicação social, Nhongo tem negado serem os seus homens os autores destes ataques.

Na sua rede favorita

Siga-nos na sua rede favorita.