Carlos Leão, um dos suspeitos, disse que tinha como objetivo juntar 50 homens e que já tinha conseguido recrutar 18 com idades entre os 18 e 22 anos no distrito de Morrumbala.

O grupo pretendia "entrar no mato" e "começar ataques", referiu o suspeito, expressando-se com dificuldade em português, nas declarações transmitidas pela Televisão de Moçambique.

Segundo o detido, o plano tinha a orientação de Mariano Nhongo, dirigente da guerrilha da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo) que se rebelou contra a estrutura interna, em divergência com Ossufo Momade, presidente eleito em janeiro - em substituição de Afonso Dhlakama.

Além de Morrumbala, seriam estabelecidas bases nos distritos de Namarroi e Milange, local de um dos principais postos fronteiriços com o Maláui e onde os detidos deveriam comprar armas, referiu o detido.

O grupo seria constituído com promessas de recompensas financeiras e integração nas forças de defesa e segurança moçambicanas, contando com o apoio de dirigentes da Renamo que não estão satisfeitos com a liderança de Ossufo Momade, acrescentou.

Os seis suspeitos foram apresentados aos jornalistas em Quelimane pelo vice-comandante-geral da PRM, Timóteo Bernardo, que inclui a detenção num conjunto de medidas que conduzem "à livre circulação de pessoas e bens".

Ataques de grupos armados no centro do país, nas províncias de Manica e Sofala, já provocaram 10 mortos desde agosto, numa zona onde permanece um número incerto de guerrilheiros dissidentes da Renamo que tem ameaçado recorrer à violência armada caso não sejam ouvidas as suas reivindicações relativas à reintegração na sociedade e nas forças de defesa e segurança.

O presidente da Renamo, Ossufo Momade, tem-se distanciado da violência, referindo que os homens armados que estão sob comando do partido permanecem acantonados no âmbito do processo de desmilitarização, desarmamento e reintegração (DDR) previsto no acordo de paz que assinou com o presidente moçambicano, Filipe Nyusi, em 06 de agosto.

De visita à zona afetada pelos ataques, há uma semana, o chefe de Estado moçambicano disse ter orientado as Forças de Defesa e Segurança para "perseguir" os autores dos ataques armados no Centro do país, "para que sejam responsabilizados".

Na sua rede favorita

Siga-nos na sua rede favorita.