A Polícia Federal brasileira cumpriu desde o início da manhã ordens de prisão contra oito pessoas e fez buscas em mais de uma dúzia de endereços ligados ao governador Wilson Lima nesta investigação sobre fraudes na compra de ventiladores pulmonares usados no tratamento da COVID-19.

Em comunicado, o Ministério Público Federal (MPF) brasileiro informou que as medidas foram determinadas pelo juiz Francisco Falcão, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), e incluem o bloqueio de bens no valor 2,9 milhões de reais (470 mil euros), de 13 pessoas e empresas.

O estado do Amazonas, localizado na região norte do Brasil e que concentra grande parte da floresta amazónica, foi um dos mais atingidos pela pandemia no país.

A capital do estado, Manaus, foi devastada pelo novo coronavírus, com pacientes afastados de unidades de cuidados intensivos, dezenas de pessoas morrendo em casa e a cidade enterrando caixões em valas comuns para acompanhar o crescente número de mortos.

A procuradora Lindora Araujo disse no comunicado do MPF que existe uma “organização criminosa que, instalada nas estruturas do governo do estado do Amazonas, fez uso da situação de calamidade para obter ganhos financeiros ilícitos”.

O governador Lima foi alvo de buscas e congelamento de ativos. Ao ser questionado sobre o caso o governo regional do Amazonas disse que aguardará mais informações antes de comentar e informou que o governador estava na capital do país, a cidade de Brasília.

A administração do Amazonas já havia sido criticada por comprar ventiladores pulmonares pagando quatro vezes o preço de mercado de uma empresa especializada de importação de vinhos.

As máquinas compradas a este fornecedor foram consideradas inadequadas para uso em pacientes com covid-19 pelo Conselho Regional de Medicina e pelo Sindicato dos Médicos do Amazonas. Lima negou qualquer irregularidade na compra.

Os promotores brasileiros disseram que a compra dos ventiladores pulmonares revelou um processo pelo qual o distribuidor de vinho atuou como intermediário na compra a um fornecedor de equipamentos de saúde, adicionando cerca de 90 mil dólares ao custo final.

Lima é o terceiro governador a ser investigado por despesas médicas suspeitas durante a pandemia.

Em 26 de maio, a polícia revistou a residência do governador do estado do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, como parte de uma investigação sobre supostas irregularidades nos contratos para a construção de hospitais de campanha.

Os legisladores do Rio de Janeiro votaram quase por unanimidade para iniciar um processo de destituição contra o governador Witzel.

Helder Barbalho, governador do estado brasileiro do Pará, também foi alvo de buscas em 10 de junho numa investigação sobre alegadas fraudes na compra de ventiladores pulmonares para o tratamento da COVID-19.

Wilson Witzel e Helder Barbalho são críticos do posicionamento do Presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, e defendem medidas de isolamento social para conter a disseminação do novo coronavírus.

Já o governador do Amazonas, Wilson Lima, é um aliado político de Bolsonaro.

O Brasil é o país lusófono mais afetado pela pandemia e um dos mais atingidos no mundo, ao contabilizar o segundo número de infetados e de mortos (mais de 1,36 milhões de casos e 58.314 óbitos), depois dos Estados Unidos da América.

A pandemia de COVID-19 já provocou mais de 505.500 mortos e infetou mais de 10,32 milhões de pessoas em 196 países e territórios, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

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