“Os últimos desenvolvimentos a nível de instituições da justiça nacional e internacional relacionados com o dossier da dívida trazem novos elementos que estão a ser tidos em conta na interacção com os credores” para que se encontrem “soluções na salvaguarda dos interesses nacionais”, referiu, numa sessão de respostas do Governo a questões colocadas pelas bancadas parlamentares.

O primeiro-ministro destacou que “as únicas dívidas” que o Governo está a pagar são as dívidas multilaterais e bilaterais, perante países parceiros e outras instituições internacionais, como “o Banco Africano de Desenvolvimento (BAD), Banco Mundial ou Banco Islâmico, entre outros”, exemplificou

Carlos Agostinho do Rosário reafirmou a posição que já havia assumido em Janeiro, mas desta vez apresentou como exemplo a acção da Procuradoria-Geral da República (PGR) que "accionou mecanismos" junto de um tribunal de Londres, "que incluem, entre outros, o pedido de cancelamento da garantia soberana associada à dívida sindicada da Proindicus", uma das três empresas públicas usadas para justificar as dívidas não declaradas.

A acção da PGR foi anunciada no final de Fevereiro e diz respeito a uma parcela de, pelo menos, 600 milhões de dólares de 2,2 mil milhões de dólares que estão em causa.

Após três anos e meio sem avanços da justiça moçambicana na investigação do caso, no final de Dezembro de 2018, os Estados Unidos mandaram deter banqueiros internacionais, um intermediário e o ex-ministro das Finanças Manuel Chang, desencadeando outras detenções em Moçambique, entre as quais, a secretária pessoal e o filho do ex-presidente Armando Guebuza, ambos em prisão preventiva há cerca de um mês.

Vários analistas defenderam que as provas permitem ao país lusófono libertar-se de obrigações relativas a mais de metade do total das dívidas.

"Reconhecemos que a questão da dívida preocupa os moçambicanos, no entanto, este assunto não deve desviar-nos do nosso foco: a paz e a implementação do plano quinquenal do Governo para a contínua melhoria da vida dos moçambicanos", sublinhou o primeiro-ministro.

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