As duas manifestações, já autorizadas pela polícia, vão decorrer em horas diferentes para evitar eventuais problemas.

Citado pela imprensa guineense, o comissário nacional adjunto da Polícia de Ordem Pública, Salvador Soares, disse que a primeira manifestação será a da União Nacional dos Trabalhadores da Guiné-Bissau (UNTG) e da Confederação Nacional dos Sindicatos Independentes, seguida da dos partidos políticos, e que estão criadas as condições de segurança.

“A concentração das centrais sindicais é na Chapa e a saída do protesto é às 09:00 (10:00 em Lisboa)”, disse à Lusa Júlio Mendonça, secretário-geral da UNTG.

A manifestação, explicou, visa exigir a implementação do decreto-lei de Outubro de 2012 sobre a avaliação e desempenho da Administração Pública e a conclusão do processo de aprovação do novo Código de Trabalho, bem como um aumento salarial para o equivalente a 150 euros mensais.

As duas centrais sindicais realizam há três semanas períodos de greve que decorrem sempre entre terça e quinta-feira.

Também quinta-feira, os partidos políticos na oposição na Guiné-Bissau, os movimentos de apoio ao Presidente guineense, José Mário Vaz, e outros partidos sem assento parlamentar vão realizar um protesto para exigir a resolução do impasse em relação à eleição para a mesa da Assembleia Nacional Popular (ANP).

“Estamos a preparar a manifestação popular pela democracia, paz e cumprimento da legalidade e para exigir ao presidente do parlamento para que seja constituída a mesa da ANP nos termos do regimento e da Constituição da República”, afirmou o porta-voz do Movimento para a Alternância Democrática (Madem-G15), Djibril Balde, durante uma conferência de imprensa realizada hoje na sede do partido em Bissau.

Quase três meses depois das eleições legislativas, a 10 de Março, o novo primeiro-ministro da Guiné-Bissau ainda não foi indigitado pelo Presidente guineense e o novo Governo também não tomou posse devido a um novo impasse político, que teve início com a eleição dos membros da Assembleia Nacional Popular.

Depois de Cipriano Cassamá, do Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), ter sido reconduzido no cargo de presidente do parlamento, e Nuno Nabian, da Assembleia do Povo Unido – Partido Democrático da Guiné-Bissau (APU-PDGB), ter sido eleito primeiro vice-presidente, a maior parte dos deputados guineenses votou contra o nome do coordenador do Madem-G15, Braima Camará, para segundo vice-presidente do parlamento.

O Madem-G15 recusou avançar com outro nome para cargo e apresentou uma providência cautelar para anular a votação, mas que foi recusada pelo Supremo Tribunal de Justiça.

Por outro lado, o PRS reclama para si a indicação do nome do primeiro secretário da mesa da assembleia.

O parlamento da Guiné-Bissau está dividido em dois grandes blocos, um, que inclui o PAIGC (partido mais votado nas legislativas, mas sem maioria), a APU-PDGB, a União para a Mudança e o Partido da Nova Democracia, com 54 deputados, e outro, que juntou o Madem-G15 (segundo partido mais votado) e o PRS, com 48.

O Presidente guineense, que termina o mandato a 23 de Junho, tem afirmado que só nomeia o futuro primeiro-ministro, depois de haver um entendimento para a eleição da mesa da Assembleia Nacional Popular.

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