“No âmbito da CPLP, desejo que sejamos solidários, que os países mais desenvolvidos e com mais capacidades ao nível da CPLP possam colocar à disposição dos outros um conjunto de instrumentos e apoios para mitigar os efeitos económicos e sociais que impendem sobre os nossos países pequenos, insulares e pouco desenvolvidos”, disse Olavo Correia durante a intervenção por videoconferência durante a sessão de apresentação pública do livro que reúne as comunicações do primeiro Fórum dos Economistas das Cidades de Língua Portuguesa, e que decorreu hoje em Lisboa.

“Estamos todos perante o desafio das nossas vidas, não só no campo biológico e epidemiológico, mas também nos palcos económico e social”, acrescentou o vice-primeiro-ministro de Cabo Verde, que disse ser um dos países mais afetados no mundo pela pandemia da covid-19.

“Somos um dos países mais impactados pela pandemia devido à estrutura da nossa economia e à exposição da nossa economia ao mundo”, vincou o governante, que deixou uma mensagem de otimismo face à CPLP.

“Se juntarmos esforços e oportunidades que a CPLP encerra, estaremos em condições de vencer o desafio de saúde e de recuperação da economia e um novo corredor para a recuperação económica de cada um dos nossos países e da própria CPLP, que pode ter um papel importante na parceira entre África e a Europa”, concluiu Olavo Correia.

O economista António Mendonça, membro da comissão instaladora da Associação Lusófona de Economia, salientou à Lusa que o objetivo da associação “de economia e não só de economistas” é o de “promover o debate sobre matérias económicas, promover a cooperação, a qualidade do ensino de economia nos nossos países e promover ainda princípios e valores de ética, exigência e responsabilidade profissional”.

António Mendonça explicou que antes da pandemia, estava previsto que, depois do primeiro Fórum na Cidade da Praia, em Cabo Verde, o segundo decorresse em 2021 em Angola e o terceiro em Timor-Leste, no ano seguinte.

“O segundo encontro deverá ter como tema central a covid-19 e os efeitos económicos e como a cooperação permite dar resposta aos problemas económicos nos países lusófonos”, disse o também antigo ministro das Obras Públicas.

África registou 252 mortos devido à COVID-19 nas últimas 24 horas, para um total de 33.047 óbitos, e tem um acumulado de 1.365.689 infetados, segundo os números mais recentes da pandemia no continente.

Segundo o Centro de Controlo e Prevenção de Doenças da União Africana (África CDC), nas últimas 24 horas registaram-se, nos 55 Estados-membros da organização, mais 5.865 novos casos de infeção e mais 9.554 pessoas recuperaram, para um total de 1.116.545.

Entre os países africanos que têm o português como língua oficial, Angola lidera em número de mortos e Moçambique em número de casos. Angola regista 139 mortos e 3.569 casos, seguindo-se a Guiné Equatorial (83 mortos e 5.000 casos), Cabo Verde (46 mortos e 4.904 casos), Guiné-Bissau (39 mortos e 2.303 casos), Moçambique (37 mortos e 5.713 casos) e São Tomé e Príncipe (15 mortos e 906 casos).

A pandemia de COVID-19 já provocou pelo menos 929.391 mortos e mais de 29,3 milhões de casos de infeção em 196 países e territórios, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de dezembro, em Wuhan, uma cidade do centro da China.

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