"Na ONU, países lusófonos pedem que ajuda pós-ciclone Idai não seja interrompida", lê-se num comunicado distribuído hoje pelas Nações Unidas sobre a reunião extraordinária do ECOSOC que debateu a resposta ao desastre foi marcada por repetidos apelos de apoio às fases de reconstrução e resiliência, após o ciclone que afetou mais de três milhões de pessoas em Moçambique, no Maláui e no Zimbábue.

O embaixador de Moçambique junto da ONU, António Gumende, disse, segundo o texto distribuído, que "a atenção internacional é notável" e defendeu a continuidade da ajuda: "Já estamos a falar da eclosão de incidentes de cólera, e nos próximos tempos poderemos ter também um aumento de pessoas afetadas pela malária, quando as águas estagnadas começarem a criar condições para a reprodução dos vetores de transmissão", alertou.

"A atmosfera e os pronunciamentos, de todos os quadrantes da comunidade internacional, durante esta reunião, revelam o interesse permanente, tanto dos Estados-membros, como das organizações internacionais, como até de algumas organizações da sociedade civil que estiveram presentes no encontro, portanto, foi um desfecho encorajador", conclui o embaixador.

A embaixadora de Angola junto das Nações Unidas, em declarações à ONU News, disse que espera mais anúncios da comunidade internacional e deu o exemplo do seu país, que enviou helicópteros da Força Aérea, socorristas, material e médicos para a zona da Beira.

“Angola continuará sempre solidária com os países-irmãos e disposta a colaborar dentro de tudo aquilo que estiver ao nosso alcance. Outros países deverão também ajudar. Foi essa a declaração que fizemos, no sentido de outros países continuarem a prestar o seu apoio, nomeadamente os países doadores para que os organismos internacionais possam continuar a fazer o seu trabalho de socorro, não só a curto mas a longo prazo, porque as maiores consequências ver-se-ão a partir de agora com casos de malária, com casos de todo o tipo de doenças em consequência da acumulação de águas e o prejuízo todo que o ciclone provocou", disse.

Portugal, por seu turno, "destacou a solidariedade que marca tanto o país e como comunidades portuguesas espalhadas pelo mundo, para apoiar às vítimas do desastre", afirmou o representante português na ONU, Francisco Duarte Lopes.

"No âmbito da nossa parceria com Moçambique, estamos a apostar estrategicamente em setores como a saúde, a educação e a melhoria das infraestruturas. Continuamos com alguns elementos desta resposta imediata de emergência no país”, disse.

“Estamos, nomeadamente, a trabalhar no tratamento de água, no abastecimento de água às populações. Mas estamos já também a pensar em ações de mais médio e longo prazo para ajudar Moçambique nesse esforço de resiliência e de estar em melhores condições para, da próxima vez, responderem melhor a estas catástrofes naturais", disse o embaixador português junto das Nações Unidas.

No final da reunião, a vice-secretária-geral da ONU, Amina Mohammed, disse que a comunidade internacional garantiu cerca de 11% dos 392 milhões de dólares (350 milhões de euros) de ajuda necessária aos países afetados pelo ciclone Idai e apelou a um reforço do apoio aos três países afetados, segundo a ONU News, já que apenas foram garantidos pelos doadores cerca de 46 milhões de dólares (41 milhões de euros).

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