As cerimónias oficiais, com a presença do Presidente Filipe Nyusi, vão decorrer junto ao Monumento aos Heróis Moçambicanos e contam com a presença de representantes de vários países.

Conheça os principais acontecimentos dos 40 anos de Moçambique, que são comemorados quinta-feira, 25 de Junho.

25 de Junho de 1975: Proclamada a independência. O primeiro governo, liderado por Samora Machel, tinha como ministro do Interior o futuro Presidente Armando Guebuza, que emitiu a ordem 24/20. Nessa directiva, dava indicações a todos os residentes portugueses para deixarem o país em 24 horas, não lhes sendo permitido levar mais que 20 quilos de bagagem.

8 de Agosto de 1976: Forças da Rodésia invadem Moçambique, alegadamente em perseguição de nacionalistas do Zimbabué. A África do Sul anuncia a realização de exercícios militares na fronteira.

17 de Outubro de 1976: Formação da Renamo, movimento apoiado pelos serviços secretos da Rodésia. O antigo membro da Frelimo, André Matsangaissa, é libertado de um campo de reeducação acabando por instalar-se na Rodésia onde recebe treino militar para liderar a Renamo. O movimento de guerrilha é fundado em Salisbúria (Harare) sob a organização de Ken Flower, chefe dos serviços secretos rodesianos e Orlando Cristina, antigo membro da PIDE-DGS, a polícia política da ditadura portuguesa. As primeiras acções registam-se na Gorongosa.

25 de Junho de 1977: Os prisioneiros políticos da Frelimo Joana Simeão, Uria Simango, Lázaro Nkavandame, Raul Casal Ribeiro, Arcanjo Kambeu, Júlio Nihia, Paulo Gumane e o padre Mateus Gwengere são internados no campo de reeducação de M’telela, Niassa, noroeste de Moçambique, tendo sido fuzilados no dia 25 de julho.

17 de Outubro de 1979: O dirigente da Renamo morre na primeira ação armada na região centro de Moçambique (Vila Paiva). Afonso Dhlakama é o novo líder da Renamo que projeta o movimento num exército de guerrilha.

18 de Abril de 1980: Independência do Zimbabwe, liderado por Robert Mugabe, que depôs Ian Smith. A Renamo passa a ter como principal aliada a África do Sul.

13 de Abril de 1983: O secretário-geral da Renamo, Orlando Cristina, é assassinado numa base militar da África do Sul. Sucede-lhe Evo Fernandes, até então representante da Renamo em Portugal.

16 de Março de 1984: O governo da África do Sul e de Moçambique assinam acordo que prevê o fim das agressões mútuas; encerramento das bases do ANC em Moçambique.

Setembro de 1984: A Frelimo altera estratégias políticas no sentido de conseguir apoio financeiro do Fundo Monetário Internacional (FMI) e Banco Mundial (BM).

19 de Outubro de 1986: O Presidente, Samora Machel, morre num acidente de aviação ao colidir com um montanha no Transvaal (África do Sul) durante uma deslocação entre Lusaca (Zâmbia) e Maputo. A chefia do Estado é assumida por Joaquim Chissano.

21 de Abril de 1988: Secretário-geral da Renamo, Evo Fernandes, é assassinado nos arredores de Cascais.

30 de Julho de 1989: Em congresso, a Frelimo abandona oficialmente doutrina marxista-leninista.

30 de Novembro de 1990: Moçambique adopta uma nova Constituição que permite um sistema multi-partidário. O nome do país República Popular de Moçambique é mudado para República de Moçambique. As companhias do Estado podem ser privatizadas. Liberdade de expressão e de formação de partidos políticos são constitucionalmente aceites.

Novembro de 1991: Afonso Dhlakama visita Portugal, declarando que o faz a convite dos serviços secretos militares portugueses.

29 de Maio de 1991: Escritor moçambicano José Craveirinha vence a 3.ª edição do Prémio Camões.

4 de Outubro de 1992: Acordo geral de paz, celebrado em Roma, após cerca de dois anos de conversações mediadas pela Comunidade de Santo Egídio.

15 de Outubro de 1992: Cessar-fogo decretado oficialmente. A Renamo passa a ser um partido político.

27 de Outubro de 1994: As primeiras eleições livres monitorizadas pela ONU e por observadores internacionais decorreram em três dias. Participam mais de seis milhões de eleitores, concorrem 14 partidos, sendo que as maiores formações partidárias são a Frelimo e a Renamo. Nas legislativas, a Frelimo vence as eleições com maioria absoluta, com 44 por cento, e Joaquim Chissano é eleito Presidente, com 54 por cento.

Janeiro de 1995: Moçambique passa a ser membro da Commonwealth.

Agosto de 1996: Maria de Lurdes Mutola ganha a medalha de bronze nos 800 metros, em Atlanta, nos Jogos Olímpicos.

3 de Janeiro de 1999: Joaquim Chissano volta a ganhar as eleições e a Frelimo mantém-se como partido maioritário.

Fevereiro de 2000: Cheias provocam milhares de deslocados.

Agosto de 2000: Maria de Lurdes Mutola vence os 800 metros, em Sydney, nos Jogos Olímpicos

Novembro de 2000: Protestos da Renamo contra as eleições de 1999 acabam em confrontos em Montepuez em que morrem pelo menos 40 pessoas. Poucas semanas depois, 83 pessoas que tinham sido presas nas manifestações morrem sufocadas numa cela de prisão com 21 metros quadrados.

16 de Novembro de 2000: O jornalista Carlos Cardoso, 49 anos, é assassinado numa rua de Maputo, por homens armados com espingardas de assalto AK-47. Cardoso era um conhecido jornalista que investigava vários casos de corrupção no país.

Março de 2001: Registam-se graves inundações nas províncias de Tete, Zambézia, Sofala e Manica, cobrindo uma área de cerca de um milhão de hectares.

1 de Dezembro de 2004: Armando Guebuza vence as eleições presidenciais, com 63 por cento dos votos. Dhlakama rejeita os resultados e o escrutínio é criticado por organizações internacionais.

28 de Outubro de 2009: Armando Guebuza é reconduzido no cargo de Presidente do país, com 75 por cento dos votos. O Movimento Democrático de Moçambique (MDM), de Daviz Simango, afirma-se como terceira força eleitoral.

17 de Outubro de 2012: O líder da Renamo, Afonso Dhlakama, regressa à antiga base do partido, a Casa Banana, em Satunjira, na zona da Gorongosa.

27 de Maio de 2013: Escritor moçambicano Mia Couto foi o vencedor da 25.ª edição do Prémio Camões.

30 de Junho de 2013: Início de vários ataques de elementos armados na Estrada Nacional 1, que liga o sul e o norte do país. O governo responsabiliza diretamente a Renamo.

21 de Outubro de 2013: Forças governamentais tomam a base da Renamo na Gorongosa. A Renamo anuncia o fim do Acordo de Paz de 1992.

5 de Setembro de 2014: Para acabar com meses de violência entre o exército e os ex-guerrilheiros, o Presidente, Armando Guebuza, e o líder da Renamo, Afonso Dhlakama, assinaram um novo pacto.

15 de Outubro de 2014: Eleições presidenciais dão a vitória a Filipe Nyusi, com 57 por cento dos votos. A Frelimo mantém a maioria absoluta. Dhlakama não aceita os resultados e reclama governar as províncias em que a Renamo ganhou.

29 de Março de 2015: Armando Guebuza deixa a liderança da Frelimo.

Lusa