Em comunicado conjunto, as 38 organizações - entre as quais Amnistia Internacional, Organização Mundial contra a Tortura, Instituto de Liberdade de Expressão e Comité de Proteção de Jornalistas - consideraram que a detenção de Amade "faz parte de um padrão de repressão de jornalistas na província de Cabo Delgado".

"A detenção e continuação da detenção violam a Constituição de Moçambique, bem como as obrigações do país no âmbito do Pacto Internacional sobre os Direitos Civis e Políticos de respeitar e proteger os direitos à liberdade de expressão e ao devido processo legal, que inclui o direito de ser presumido inocente até prova", sustentam as organizações.

O jornalista Amade Abubacar, 31 anos, foi detido na vila de Macomia, quando fotografava famílias que abandonavam o local devido ao medo da violência armada protagonizada por grupos desconhecidos naquele ponto de país.

A sociedade civil instou "as autoridades moçambicanas a que ponham fim às detenções arbitrárias de jornalistas e libertem imediata e incondicionalmente Amade Abubacar, que é um prisioneiro de consciência detido exclusivamente pelo seu trabalho como jornalista".

Por outro lado, as organizações não-governamentais exigem que Moçambique investigue "os alegados maus-tratos a Amade" e que "responsabilize todos os responsáveis"

"Com estas acções, Moçambique marcaria um passo importante para garantir a liberdade de imprensa e garantir o direito à liberdade de expressão no país", apontaram.

Segundo as autoridades moçambicanas, Amade Abubacar é suspeito de violação de segredo de Estado e instigação pública com recurso a meios informáticos.

As últimas informações disponíveis indicam que Amade Abubacar encontra-se no estabelecimento penitenciário de Mieze, que alberga parte considerável de indivíduos suspeitos de estarem ligados aos grupos armados que têm protagonizado ataques em Cabo Delegado.

Além de Amade Abubacar, o jornalista Germano Daniel Adriano, também da Rádio e Televisão Comunitária de Macomia, foi detido em 18 fevereiro, acusado também de violação do segredo de Estado e instigação pública a um crime.

Em junho do ano passado, Pindai Dube, jornalista, foi detido pela polícia em Pemba e acusado de espionagem, acabando por ser libertado três dias depois.

Seis meses volvidos, Estacio Valoi, um jornalista de investigação, e David Matsinhe, da Amnistia Internacional, foram detidos no distrito de Mocímboa da Praia por militares e colocados sem contacto durante dois dias, acusados de espionagem e de apoiarem um grupo extremista.

A onda de violência em Cabo Delgado eclodiu após um ataque armado a postos de polícia da vila de Mocímboa da Praia por um grupo com origem numa mesquita local que pregava a insurgência contra o Estado e cujos hábitos motivavam atritos com os residentes desde há dois anos.

Desde Outubro de 2017, já terão morrido mais de 150 pessoas, entre residentes, supostos agressores e elementos das forças de segurança e um trabalhador na construção de um dos empreendimentos dos projectos de exploração de gás natural na região.

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