Em comunicado, citado pela agência de notícias EFE, a Médicos Sem Fronteiras (MSF) adiantou que o grupo viajava num barco de borracha que não tinha condições para a navegação.

A organização refere que o barco humanitário 'Ocean Viking' vai continuar a patrulhar as águas do mar Mediterrâneo central à procura de outras embarcações em perigo, mas já iniciou os contatos com as autoridades marítimas que coordenam os resgates nessa zona para garantir o desembarque seguro destas pessoas.

"O que é seguro é que a MSF nunca mandará estas pessoas de volta para a Líbia", acrescentou a organização não-governamental (ONG) francesa.

De acordo com o coordenador-geral da MSF para a Líbia e para as operações de resgate no Mediterrâneo Central, Sam Turner, a situação nesse país é "tão desesperada" que estes refugiados e migrantes "preferem lançar-se ao mar como a única opção para sobreviver".

"Os governos europeus devem assumir as suas obrigações legais e morais e por em mar um mecanismo europeu de resposta ao desembarque seguro que inclua a recolocação dos resgatados na União Europeia", acrescentou a responsável pelas relações externas da MSF, Raquel González, citada no comunicado.

O 'Ocean Viking' tem capacidade para até 300 pessoas, disseram à EFE fontes da SOS Mediterrâneo, a outra ONG que opera a embarcação.

O barco, que substitui o Aquarius, partiu de Marselha, cidade portuária no sul de França, no passado domingo e chegou na quinta-feira à zona do Mediterrâneo central, onde concentram as operações de salvamento. Na sexta-feira, salvaram 85 pessoas e no sábado outras 85.

Sem autorização para desembarcar

Um segundo barco de resgate, o Open Arms, continua em alto mar este domingo, com 121 migrantes a bordo, depois de ter visto rejeitado o seu pedido para entrar nos portos de Itália e Malta.

Malta deu permissão ao Open Arms para desembarcar 39 pessoas salvas na área designada de busca e resgate no sábado, mas rejeitou os 121 migrantes resgatados há mais de uma semana "numa área em que Malta não é responsável nem a autoridade de coordenação competente".

"Não podemos evacuar 39 pessoas e dizer às restantes que têm de ficar", disse o fundador da Open Arms, Oscar Camps.

Perante a recusa em desembarcar a totalidade dos imigrantes, a ONG comunicou às autoridades maltesas que o grupo "vai permanecer à espera" de uma solução definitiva, enquanto enfrenta "sérios problemas de segurança" e dificuldades em "manter a ordem no barco".

Salvini fecha a porta

O ministro italiano do Interior e líder da extrema-direita, Matteo Salvini, mantém há várias semanas os portos fechados às ONG, a quem acusa de favorecerem a imigração ilegal.

Salvini, que abandonou na quinta-feira a coligação que governava a Itália desde 2018, já garantiu que não permitirá que o navio Open Arms entre em águas italianas, remetendo a responsabilidade pelos migrantes a bordo para Madrid.

O Parlamento italiano aprovou recentemente um decreto promovido por Salvini, que permite requisitar os navios das ONG que violem a proibição de entrar em águas italianas e que prevê multas de até um milhão de euros.

por:content_author: AFP, AP, Agência Lusa

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