"As plantações florestais serão em Moçambique tão melhores quanto melhor for a nossa governação, quanto melhor for a nossa capacidade de planear o uso da terra e colocar os interesses do país acima dos interesses privados", afirmou Anabela Rodrigues.

A dirigente do WWF fez o apelo durante o encontro anual da plataforma New Generation Plantation (NGP), que se realiza hoje e quarta-feira em Maputo, sob o lema "Prosperidade Social e Gestão Sustentável da Paisagem Rural".

A plataforma é uma iniciativa do WWF em parceria com governos e empresas em busca de formas de gestão sustentável de florestas.

Falando na presença de representantes de firmas do setor florestal, incluindo a Portucel Moçambique, a diretora do WWF assinalou que, muitas vezes, o executivo moçambicano cede à força dos investidores.

"Os interesses privados, muitas vezes, se apropriam do Estado", destacou.

Anabela Rodrigues dirigiu-se diretamente à Portucel - que está a implementar o maior projeto florestal em Moçambique -, pedindo à empresa portuguesa que envolva na operação as comunidades do Centro do país, onde está a desenvolver o empreendimento.

"Gostaria imenso de ver as comunidades locais que existem e vivem à volta destas plantações como protagonistas destas iniciativas, porque essa será uma das formas seguras de proteger esses investimentos", declarou.

Após as declarações da diretora do WWF, o presidente da comissão executiva da Portucel em Moçambique, João Lé, afirmou que as comunidades estão no centro das atenções da atividade da empresa no país.

"Temos tido um relacionamento muito forte com as comunidades, desenhamos um programa de desenvolvimento social que foi fundamental para toda a avaliação do impacto ambiental e social da nossa operação", declarou João Lé.

A Portucel, prosseguiu, já investiu 40 milhões de dólares em iniciativas de apoio às comunidades das zonas de implantação do projeto florestal.

"Já proporcionamos cerca de 3,5 milhões de jornas [remunerações] em trabalho local, isso equivale a mais de 10,5 milhões de dólares pagos localmente em trabalho", salientou.

O responsável da Portucel acrescentou ser “fundamental que as famílias e as comunidades façam parte deste projeto” : “É basilar a comunicação, diálogo, o entendimento, reciprocidade, para que a gestão de expectativas seja clara".

Anabela Rodrigues advogou que o aumento da procura de madeira comercial e a consequente aposta nas plantações florestais não deve ser feita em detrimento da preservação ambiental.

O diretor nacional da Agricultura e Silvicultura, Pedro Dzucula, defendeu o compromisso do Governo moçambicano com projetos florestais que respeitem a preservação ambiental.

"A nova geração de plantações deve ter impacto positivo na mitigação dos efeitos das mudanças climáticas", declarou Pedro Dzucula.

De acordo com os organizadores, em comunicado, o encontro anual da plataforma NGP visa reunir contributos de diversos participantes nacionais e internacionais e das partes interessadas, para promover um desenvolvimento florestal sustentável".

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