As perguntas vão ser colocadas durante a habitual interpelação ao Governo na Assembleia da República, que decorre hoje e quinta-feira

Os deputados da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo) pretendem saber "até quando o povo moçambicano continuará vítima de violência e de impunidade".

"A polícia, na pessoa do ministro do Interior e seus porta-vozes, de forma recorrente, têm declarado que os casos criminais estão a ser esclarecidos, quando, na realidade, a sociedade continua a sofrer violência", refere-se no documento.

O Movimento Democrático de Moçambique (MDM) refere que "o país tem registado um clima de instabilidade em matéria de ordem e segurança públicas, caracterizados por raptos e assassinatos de jornalistas, empresários, políticos, cidadãos comuns e indefesos".

Segundo o partido, são casos que se configuram como uma "intimidação e limitação da liberdade de imprensa, de expressão", assim com de "outros direitos fundamentais", pelo que pergunta ao Governo "qual a estratégia para reverter a situação".

Entre os casos mais mediáticos, está o desaparecimento do empresário português Américo Sebastião, raptado em junho de 2016, no centro do país, o homicídio do presidente do município de Nampula, Mahamudo Amurane, em outubro de 2017 e o rapto e espancamento do comentador Ericino de Salema, em março.

A Renamo tem ainda questões alinhadas relacionados com o elevado custo de vida, estado de obras públicas, problemas no serviço nacional de saúde e corte ilegal de madeira.

O MDM tem perguntas sobre o sistema de ensino, violações ambientais por empresas mineiras e dívidas ocultas do Estado.

A bancada parlamentar do partido no poder em Moçambique, a Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo), vai questionar o Governo sobre planos para usufruir dos lucros de "megaprojetos" de gás natural, pragas agrícolas, promoção de emprego, infraestruturas rodoviárias e acidentes de viação.