O Presidente moçambicano e da Frelimo, Filipe Nyusi, exortou a bancada parlamentar do seu partido a privilegiar o consenso, principalmente em matérias estruturantes da vida do país, durante o discurso de tomada de posse dos deputados, no dia 13, após as eleições gerais de 15 de outubro passado.

Em entrevista à Lusa, a primeira após a posse, o chefe da bancada da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo) na Assembleia da República (AR) manifestou dúvidas em relação à “sinceridade” do compromisso da Frelimo com o consenso.

"Somos um pouco céticos e temos razão para tal", declarou Viana Magalhães, enumerando casos de alegadas promessas não cumpridas pela Frelimo.

"No primeiro mandato dele [Filipe Nyusi], afirmou, de viva voz, que as boas ideias não tinham cores partidárias, não tinham cores políticas, mas, de facto, assistimos, ao longo do primeiro mandato a tantos projetos que a oposição submeteu, mas que foram reprovados", declarou Magalhães.

A conduta política da Frelimo, prosseguiu, tem sido caraterizada pelo contrassenso, porque defende a inclusão, mas pratica a exclusão.

"O consenso, de facto, devia ser a regra, e o dissenso, a exceção, para dar estabilidade ao país, mas a Frelimo habituou-nos ao contrassenso", defendeu o chefe da bancada da AR.

Por seu turno, o chefe da bancada do Movimento Democrático de Moçambique (MDM), Lutero Simango, também se mostrou pessimista em relação ao compromisso da Frelimo com o consenso, assinalando que o partido ainda não está preparado para aceitar cedências.

"Eu penso que o apelo do chefe de Estado no sentido de posições consensuais no parlamento é muito mais para a sua bancada parlamentar, porque tem mostrado dificuldades em aceitar o consenso", declarou Lutero Simango, em entrevista à Lusa.

A Frelimo controla 184 dos 250 assentos na AR, seguida de longe pela Renamo, com 60 deputados, e pelo MDM, com seis.

PMA // JH

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