As oportunidades de investimento nos países africanos lusófonos superam as barreiras existentes, acreditam empresários portugueses e britânicos com negócios em Angola ou Moçambique que hoje participam na conferência "Negócios em Português", em Londres.

Norman Hay, responsável da Gemcorp Capital, um fundo de investimento em mercado investimentos com interesses em Angola, identificou a falta de recursos e capacidades profissionais como alguns dos desafios que se encontram em África.

Porém, enfatizou, o continente "oferece oportunidades tremendas" em termos de crescimento populacional e a falta de infraestruturas e falta de investimento na produção e processamento de comida têm um grande potencial de desenvolvimento e retorno económico.

Também João Castello Branco, presidente executivo da Semapa, holding que detém a produtora de papel Navigator (antiga Portucel/Soporcel) e a cimenteira Semapa, acrescentou aos problemas mencionados por Hay a burocracia e a falta de legislação.

Todavia, para a Navigator, Moçambique em particular representa actualmente o seu maior projeto internacional e um dos principais projectos: a empresa possui a licença de utilização de 356 mil hectares para plantar eucaliptos nas províncias de Manica e Zambézia.

Além da grande área de plantação, a riqueza do solo e o ambiente quente naquele país permitem que a árvore usada para a produção de pasta de papel cresça mais rapidamente do que em Portugal.

A Navigator prevê investir 35 milhões de euros por ano para plantar eucaliptos a um ritmo anual de 10 mil hectares, prevendo-se um investimento total de 2,5 mil milhões de dólares (2,2 mil milhões de euros).

Mas Moçambique possui outra vantagem para a Navigator, a localização geográfica junto à Ásia, sublinhou Castello Branco, revelando que o projeto para o país inclui a construção até 2023 de uma fábrica para produzir 1,5 milhões de toneladas de pasta de papel para vender à China.

A Conferência "Negócios em Português", organizada pela Câmara de Comércio Portuguesa no Reino Unido, decorre hoje nas instalações da agência de notícias Bloomberg e pretende promover oportunidades comerciais e de investimento nos mercados emergentes em crescimento em países lusófonos, em particular em Angola, Moçambique e Brasil.

Entre os participantes estão também Gonçalo Moura Martins, presidente-executivo da Mota Engil, Filipe Batista, presidente-executivo da ARCTEL - CPLP, Daniel Santos, presidente-executivo do Banco Millennium Atlantico (Angola), Júlio Lopes, Administrador do Banco Caixa Geral Angola, Luis Soares de Sousa, Partner da sociedade de advogados Cuatrecasas Goncalves Pereira, e Renato Lulia-Jacob, presidente-executivo do banco Itau BBA International.

Na abertura, Salimo Abdula, presidente da Confederação Empresarial da CPLP e presidente da Intelec Holdings, em Moçambique, mostrou-se interessado em mais parcerias com empresas britânicas para investir nos países lusófonos.

Para Rodney Berkeley, director da UK Trade & Investment (UKTI), agência de promoção do investimento britânica, Portugal representa uma plataforma ideal para contornar algumas das dificuldades de investimento naqueles e países e aproveitar oportunidades, nomeadamente nos setores de segurança, saúde, energia, serviços financeiros ou agricultura.

"Portugal é uma porta natural para um mercado com 350 milhões de pessoas, tem uma localização estratégica e única na Europa ocidental e é um parceiro perfeito para o Reino Unido e empresas britânicas", afirmou.

Nesse sentido, foi assinado durante o evento um acordo de colaboração entre a Confederação Empresarial da CPLP e a Câmara de Comércio Portuguesa no Reino Unido.

O protocolo permitirá que as empresas associadas das duas entidades possam usar os conhecimentos de cada uma para entrar, no caso de empresas africanas ou brasileiras, no mercado britânico ou, no caso de empresas britânicas, nos países lusófonos.