Em entrevista à Lusa, Myrta Kaulard, admitiu que das promessas de apoios de doadores feitos há um ano, na ordem dos 1,1 mil milhões de euros, só foram concedidos 173,3 milhões face aos projetos apresentados.

Hoje, um ano depois, o sistema das Nações Unidas tem falta de fundos para continuar a prestar apoio a Moçambique, alerta Myrta Kaulard.

“Falta muito dinheiro”, realça: diz serem necessários de imediato, pelo menos, 120 milhões de dólares para a ajuda básica, essencial, para evitar mais vulnerabilidades e cair em “mecanismos negativos”, como sejam, o abandono escolar ou casamentos precoces para sustentar a família.

“Os recursos de que as organizações humanitárias dispõem são os que receberam depois do Idai” e estão esgotados, alerta - numa altura em que ainda falta um mês até ao fim da atual temporada ciclónica.

Depois da fase de ajuda humanitária de emergência, os parceiros de cooperação prometeram cerca de 1.100 milhões de euros para reconstrução numa conferência de doadores realizada dois meses e meio após o ciclone.

No início de fevereiro deste ano, asseguraram ao Governo moçambicano o desembolso de 173,3 milhões de euros face aos projetos apresentados, mas a coordenadora permanece otimista.

“No final do ano vamos começar a ver os resultados do investimento” dos milhões prometidos, acredita a coordenadora residentes da ONU em Moçambique.

O período chuvoso de 2018/2019 foi dos mais severos de que há memória em Moçambique: 714 pessoas morreram, incluindo 648 vítimas de dois ciclones (Idai e Kenneth) que se abateram sobre Moçambique.

O ciclone Idai atingiu o cento de Moçambique em março, provocou 603 mortos e a cidade da Beira, uma das principais do país, foi severamente afetada.

O ciclone Kenneth, que se abateu sobre o norte do país em abril, matou 45 pessoas.

Na sua rede favorita

Siga-nos na sua rede favorita.