Bachelet, de 66 anos, duas vezes presidente do Chile e enérgica defensora dos direitos das mulheres, substituirá a partir de 1 de setembro o príncipe jordano Zeid Ra'ad Al Hussein, um vigoroso crítico dos abusos dos direitos humanos em vários países, incluindo nos Estados Unidos.

Em nome da América Latina e do Caribe, o embaixador argentino na ONU, Martín García Moritán, comemorou na assembleia a escolha "de uma mulher altamente competente para este desafiante papel" e destacou o "seu compromisso, experiência e paixão".

Filha de um militar que se opôs ao golpe de Estado que derrubou o presidente socialista Salvador Allende e morreu após ser torturado na ditadura de Augusto Pinochet, Bachelet foi presa e torturada em 1975, antes de partir para o exílio  primeiro na Austrália e, depois, na Alemanha Oriental.

Pediatra de profissão e especialista em Saúde Pública, após o retorno da democracia no Chile, em 1990, Bachelet foi ministra da Saúde, depois da Defesa e, finalmente, duas vezes presidente. Esteve no cargo até março passado, quando, pela segunda vez, entregou o governo ao conservador Sebastián Piñera.

Bachelet também foi a primeira diretora da ONU Mulheres de 2010 a 2013, a agência da organização que promove a igualdade de género.

Zeid decidiu que não disputaria um segundo mandato de quatro anos após perder o apoio de países poderosos. Além dos Estados Unidos, enfrentou duramente Rússia e China.

Recentemente, disse que permanecer em seu posto "no atual contexto geopolítico (...) implicaria implorar de joelhos".