As organizações humanitárias de Moçambique vão receber o quarto maior envelope financeiro no valor de sete milhões de dólares (5,9 milhões de euros).

O país enfrenta a Covid-19 numa altura em que há 250.000 deslocados internos devido ao conflito armado na província de Cabo Delgado e depois de ter sido seriamente debilitado devido aos ciclones de elevado grau destruidor Idai e Kenneth, em 2019.

A maior alocação anunciada pelo CERF é de 35 milhões de dólares (29,8 milhões de euros) para o Iémen, classificado como palco da pior crise humanitária no mundo.

Segue-se a distribuição por organizações de ajuda humanitária no Afeganistão (13 milhões de dólares, 11 milhões de euros), Nigéria (13 milhões de dólares, 11 milhões de euros) e Moçambique (sete milhões de dólares, 5,9 milhões de euros).

A ajuda chegará ainda ao Burkina Faso e Paquistão, com seis milhões de dólares (5,12 milhões de euros) para cada país.

Seguem-se quatro países que vão receber cinco milhões de dólares (4,26 milhões de dólares) cada: Burundi, Colômbia, Haiti e Uganda.

A alocação coloca uma forte ênfase "na mitigação e resposta à violência baseada em género, uma área que permanece criticamente subfinanciada", refere o comunicado do Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA, sigla inglesa).

"Os fundos ajudarão os grupos de apoio de linha de frente a fornecer assistência para salvar vidas a pessoas extremamente vulneráveis e apoiar programas que atendem às necessidades exacerbadas pela pandemia da Covid-19", acrescenta.

Mark Lowcock, subsecretário-geral de assuntos humanitários e coordenador de ajuda de emergência, classifica o CERF como "um fundo para salvar vidas e uma rede de segurança para os ultra-vulneráveis".

"Na esteira da Covid-19, as necessidades humanitárias estão a aumentar, a violência de género está a crescer, mas o financiamento não está a acompanhar as necessidades. Milhões de pessoas estão no limite da sobrevivência em emergências subfinanciadas. Esses fundos ajudarão a dar uma hipótese", sublinha.

Juntamente com outros 125 milhões de dólares, o CERF alocou 225 milhões de dólares para apoiar a resposta a crises em 20 países, este ano, "o maior valor anual na história do fundo, acima dos 200 milhões de dólares em 2019, o que já é um recorde", acrescenta.

O agravamento da situação humanitária em Moçambique já tinha levado a ONU a lançar apelos para doações específicas dirigidas ao país.

Em coordenação com o Governo, as Nações Unidas lançaram a 4 de junho um apelo aos parceiros internacionais para angariação de 68,1 milhões de dólares (61,6 milhões de euros) destinados a um apoio urgente para combate à Covid-19 e receberam 3,5 milhões de dólares (3,12 milhões de euros), ou seja, 5,1% - segundo os últimos dados disponíveis, do início de julho.

O plano para enfrentar a Covid-19 cobre ações previstas até dezembro: dá prioridade às necessidades dos mais vulneráveis, incluindo "pessoas a viver em situação de pobreza, deficiência, pessoas com VIH/Sida, idosos, população deslocada e comunidades em situação de risco".

Prevê-se que sejam abrangidas cerca de três milhões de pessoas de um total de oito milhões que a ONU estima necessitarem de ajuda, numa operação que envolve 57 parceiros setoriais.

No mesmo dia, foi lançado outro apelo para apoio a deslocados pela violência armada em Cabo Delgado no valor em 35,4 milhões de dólares (31,5 milhões de euros), tendo recebido sete milhões de dólares (6,2 milhões de euros), ou seja, 19,8%.

A fuga da população aumentou rapidamente à medida que a violência cresceu desde o início do ano, refere a ONU, estimando que haja agora 250.000 pessoas que largaram tudo e procuraram refúgio seguro noutras povoações - num conflito que já matou, pelo menos, mil pessoas.

Somando as comunidades de acolhimento, também já de si empobrecidas, estima-se que haja 712.000 pessoas a necessitar de ajuda e o plano pretende apoiar 354.000, cerca de metade, até final do ano.

Na sua rede favorita

Siga-nos na sua rede favorita.