"Pelo terceiro ano consecutivo, Moçambique voltou a registar uma queda no IPC" que "não se pode dissociar da questão, sempre presente, das dívidas ilegais, comummente chamadas de ocultas, e da incapacidade demonstrada pelo [sistema] judiciário em responsabilizar os suspeitos pela sua prática", escreve a organização.
O CIP nota que, desde 2016, ano em que as dívidas foram totalmente reveladas, a posição do país no índice tem "vindo a conhecer uma acentuada queda": de 27 pontos para 23 e da posição 144 para 158, com o número de países avaliados pelo IPC a crescer de 168 para 183.
"Pelos números que se observam, ao longo dos três últimos anos de avaliação, existe um falhanço total entre o discurso político e as medidas concretas visando reduzir a corrupção e os seus efeitos na sociedade moçambicana", conclui o CIP.
A análise da Transparência Internacional conclui que existe "uma relação direta entre a corrupção e a saúde democrática global", adiantando que as democracias consideradas "plenas" obtêm uma pontuação média de 75 pontos, enquanto as classificadas como "frágeis" têm em média 49 pontos, os chamados regimes "híbridos" 35 pontos e os regimes autocráticos 30 pontos.
O Índice de Perceção da Corrupção, da Transparência Internacional, foi criado em 1995 e é um dos principais indicadores à escala mundial da corrupção no setor público, baseando-se em 13 bases de dados de 12 instituições independentes.
A justiça investiga há três anos e meio o caso das dívidas ocultas do Estado, mas acabou por ser uma investigação da justiça norte-americana a deter, numa viagem ao estrangeiro, o ex-ministro das Finanças, Manuel Chang, acentuando as críticas de ONGs e analistas sobre a instrumentalização das autoridades nacionais.
Além do ex-governante, no âmbito da investigação dos EUA, três ex-banqueiros do Credit Suisse e um intermediário da empresa naval Privinvest foram detidos em diferentes países no último mês.
De acordo com a acusação, as dívidas ocultas garantidas pelo Estado entre 2013 e 2014 para três empresas de pesca e segurança marítima terão servido de base para um esquema de corrupção e branqueamento de capitais com vista ao enriquecimento de vários suspeitos.

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