A Organização Mundial de Saúde (OMS) acusou a Tanzânia de não dar informações sobre suspeitas de casos de ébola no país, num comunicado divulgado este domingo (22.09) pela agência de notícias France Presse.

Em 10 de setembro, a OMS foi informada sobre um suposto caso de ébola na capital Dar es Salaam. As pessoas próximas daquele paciente foram colocadas em quarentena. O teste de despistagem para a febre hemorrágica deu positivo. Dois outros casos suspeitos foram relatados de forma oficial.

"Apesar de vários pedidos, a OMS não recebeu mais detalhes das autoridades da Tanzânia sobre aqueles casos", lamenta aquela organização.

Em 14 de setembro, as autoridades da Tanzânia asseguraram oficialmente que não existia ébola no país, recusando-se a fazer um "teste de confirmação secundária" num centro da OMS.

Depois, em 19 de setembro, a organização da saúde das Nações Unidas foi informada de que uma pessoa com quem o paciente tinha tido contato estava doente e hospitalizada.

"Até ao momento, os detalhes clínicos e os resultados da investigação, incluindo os testes laboratoriais realizados para um diagnóstico diferencial daqueles pacientes, não foram comunicados à OMS", indica o documento.

Os países da África Oriental estão em estado de alerta após a epidemia de ébola na República Democrática do Congo, vizinha da Tanzânia, que matou mais de 2.100 pessoas em pouco mais de um ano. Foram registados naquele país mais de 3.000 casos da doença.

EUA também pedem esclarecimentos

Na segunda-feira passada (16.09), o secretário de Estado norte-americano dos Serviços Humanos e de Saúde, Alex Azar, apelou às autoridades tanzanianas para que tratem com total transparência os casos de ébola no país.

Alex Azar afirmou que estão em curso esforços para que a Tanzânia cumpra as regulamentações e obrigações de saúde internacionais.

"Esta doença misteriosa tem de ser investigada e as análises têm de ser testadas. Não podemos afastar qualquer uma das febres hemorrágicas virais e a investigação irá continuar", afirmou o representante da OMS no Uganda, Yonas Woldemariam.

Na RDC, a pandemia declarada em 1 de agosto de 2018 pelo então ministro da Saúde congolês Oly Ilunga tem seu combate dificultado pela desconfiança de comunidades locais e pela insegurança resultante de ataques rebeldes.

Em 17 de setembro deste ano, a OMS declarou o estado de emergência internacional devido ao ébola na RDC. Desde que a epidemia do vírus foi declarada no país, foram administrados tratamentos e medicação a mais de 200.000 pessoas.

O ébola transmite-se pelo contato com fluidos corporais infetados e a rapidez do tratamento é determinante para as possibilidades de sobrevivência, mas muitas pessoas não acreditam que o vírus é real e optam por ficar em casa quando estão doentes, infetando quem cuida deles, alertam os profissionais de saúde.

Esta epidemia, concentradda principalmente nas províncias congolesas de Kivu Norte e Ituri, é apenas ultrapassada pela que se registou na África Ocidental em 2014, com mais de 11.000 mortos.

por:content_author: kg, Agência Lusa, AFP

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