“Espero que este acordo seja mesmo um acordo (de cessação de hostilidades)” diz à Lusa Feliciano Mário, referindo-se ao documento assinado na quinta-feira, na serra da Gorongosa, entre o Presidente da República, Filipe Nyusi, e o presidente da Renamo, Ossufo Momade, para acabar com o conflito armado.

Este moçambicano vive há cinco anos como deslocado num centro de abrigo, transformado em bairro de reassentados na vila de Gorongosa, Sofala, no centro de Moçambique.

Ele e mais algumas centenas de populares, de zonas atingidas pelo conflito, foram levados em camionetas para Chitengo, junto ao acampamento do Parque Nacional da Gorongosa, para testemunhar o acordo de cessação de hostilidades militares.

“Este último conflito foi hostil com a Gorongosa. Perdemos parentes, perseguidos por conotação política e vários outros desapareceram sem rasto” lembra, por seu lado, Eusébio Fazenda, que veio de Canda, palco de violentos confrontos durante a tensão militar.

“Eles (o Governo e a Renamo) devem ser fiéis a este acordo desta vez” diz.

Virgílio Xavier, um morador de Vunduzi, anima-se com o novo aperto de mãos e abraços do Presidente moçambicano e o líder da Renamo, que simbolizam “o fim de ações cruéis entre irmãos”.

Depois de quase seis horas de espera, sentada debaixo de um sol escaldante, numa área reservada à população, sob fortes medidas de segurança, Rosa Matsisso emociona-se durante a cerimónia.

“Não era bom que vivessem assim (entre abraços)”, questiona a mulher, com ar frágil, provavelmente resultado de anos de fuga da tensão militar, que lhe tirou “o filho e a fartura das suas machambas (quintas) e plantações”.

Filipe Nyusi e Ossufo Momade assinaram no início da tarde de quinta-feira, na Serra da Gorongosa, o acordo de cessação das hostilidades, para o fim formal dos confrontos entre as forças governamentais e o braço armado do principal partido da oposição.

O processo de paz para Moçambique prevê ainda um acordo de paz mais amplo, a ser assinado em Agosto, desta feita em Maputo, mas ainda sem data marcada, e que prevê a integração nas forças de segurança do contingente armado da Renamo. Em troca, os guerrilheiros deverão desarmar.

Esta é a terceira vez que a Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo), partido no poder desde a independência, em 1975, e a Renamo procuram pôr fim à guerra.

O Governo e a Renamo já assinaram em 1992 um Acordo Geral de Paz, que pôs termo a 16 anos de guerra civil, mas que foi violado entre 2013 e 2014 por confrontos armados entre as duas partes, devido a diferendos relacionados com as eleições gerais.

Em 2014, as duas partes assinaram um outro acordo de cessação das hostilidades militares, que também voltou a ser violado até à declaração de tréguas por tempo indeterminado em 2016, mas sem um acordo formal.

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