O cérebro começa a ser formado na terceira semana de gestação, num processo de aperfeiçoamento que nos permite aprender até ao final das nossas vidas.

Poucos órgãos do corpo humano são tão delicados e complexos como o cérebro. Estudiosos vivem a esmiuçá-lo, a fim de desvendarem o seu funcionamento desde a fase intra-uterina. Já há descobertas surpreendentes neste campo. O cérebro começa a ser formado na terceira semana de gestação, num processo de aperfeiçoamento que nos permite aprender até ao final das nossas vidas.
Estudos indicam que problemas ocorridos com a mãe, tais como: desnutrição, uso de álcool, ou de drogas, exposição a radiações, stress, podem ter uma forte e significativa repercussão negativa na formação do cérebro do feto. Pode pois concluir-se que os esforços da mãe grávida no sentido de ter uma gravidez saudável são altamente recompensadores para a criança.

Ao nascer, o cérebro de um bebé tem cerca de 100 biliões de neurónios (células nervosas). À medida que a criança se desenvolve, são criadas conexões entre os neurónios (as "sinapses") que funcionam como "pontes" pelas quais a aprendizagem se vai fazendo e permanecendo na memória.

A intervenção dos pais no desenvolvimento da inteligência

Na ânsia de colaborar com o desenvolvimento da inteligência do seu filho, ou de a acelerar, há pais que sobrecarregam a criança com uma série de estímulos, actividades e exigências, causando-lhe profundo stress e mesmo depressão. A criança deve dispor de tempo livre para não fazer absolutamente nada e/ou para brincar livremente. Os pais devem reduzir as suas expectativas em relação à aprendizagem da criança e devem guiar-se, sempre e principalmente, pelo bom senso.

Nenhum pai deve considerar seu filho "problemático" só porque um dos seus coleguinhas está "mais adiantado" que ele. As características peculiares da criança devem ser respeitadas. Por outro lado, também não é conveniente adoptarmos uma atitude oposta: a de ignorarmos as necessidades da criança que se mostre precoce, ávida por conhecimentos e experiências consideradas "adiantadas" para a sua idade cronológica. Aqui, novamente, a recomendação é o uso do bom senso.

As "janelas de oportunidades"

De acordo com os especialistas, existe uma hora certa para a criança desenvolver cada habilidade específica. Esses períodos são "janelas de oportunidades". Os estímulos adequados, oferecidos pelos pais, após o nascimento do bebé, são fundamentais para o desenvolvimento do cérebro. Estímulos adequados podem ser toques e palavras de carinho e incentivo, elogios, brincadeiras (com ou sem brinquedos), jogos, música, desportos, conversas, histórias, etc.. Os especialistas afirmam que, muito mais importante que o tipo de estímulo, é a forma como ele é oferecido.

O carinho e a demonstração de afecto devem acompanhar as brincadeiras. Para desenvolver a capacidade cerebral de uma criança não são necessários recursos sofisticados. É importante oferecer um desenvolvimento emocional e cultural, que ajude a construir mais do que um cérebro. O investimento no desenvolvimento da inteligência infantil deve visar sempre o objectivo de criar um adulto confiante em si próprio e muito feliz.

O QI

O Quociente de Inteligência (QI) é uma medida obtida por meio de testes desenvolvidos para avaliar as capacidades cognitivas de um sujeito, em comparação ao seu grupo etário. A medida do QI é normalizada para que o seu valor médio seja de 100. Embora confundido por muita gente com a própria inteligência, o QI é basicamente uma comparação entre a idade mental e a idade real da criança (idade cronológica).

A idade mental é determinada pelo número de tarefas de um teste que a criança consegue resolver correctamente. Por exemplo, se ela acerta todas as tarefas atribuídas ao grupo de 10 anos, diz-se que ela tem idade mental de 10 anos, seja qual for sua idade cronológica. O valor do QI é obtido quando se divide a idade mental de uma criança pela sua idade cronológica. Suponhamos que uma criança de 8 anos consiga resolver todos os problemas propostos para a idade de 10 anos, mas nada além desse nível.

Diremos que sua idade mental é de 10 anos e, para calcular o seu Quociente de Inteligência, dividiremos 10 por 8, o que dá um resultado de 1,25. Por convenção, esse resultado é multiplicado por 100, para que possa ser expresso em números inteiros. Isso significa que, neste exemplo, a criança teria um QI de 125, que é considerado acima da média.

Assim, a quando a idade mental e a idade cronológica forem às mesmas, o QI será sempre 100. Se a idade mental for inferior à idade cronológica, os resultados serão sempre inferiores a 100, o que indicará um QI abaixo da média. Se, ao contrário, a idade mental for superior à idade cronológica, o QI será sempre superior a 100, ou acima da média.

O resultado e a validade de testes de QI devem ser relativizados. Em casos de QI abaixo de 70 ou 60 é praticamente impossível não identificar certas desvantagens por parte da criança, já que esta criança poderá apresentar dificuldades para acompanhar o ritmo da maioria. Embora não haja um consenso sobre o que é a "inteligência" e sobre o que é medido por um teste teoricamente projectado para medir a inteligência, o facto é que os testes de QI medem um conjunto de habilidades que correlacionam fortemente aptidões académicas e produção intelectual.

Por outro lado, as pontuações nos testes podem diferir em cerca de 5% a 10% do que seria a suposta medida "verdadeira", podendo esta incerteza no resultado ser um pouco maior ou um pouco menor, dependendo do teste utilizado. Em outras palavras: os testes medem a inteligência mesclada com outras características "residuais", por assim dizer, e também deixam de medir algumas facetas da inteligência. Só quando aplicados e interpretados por especialistas poderão ter alguma validade.

O que avalia o QI

Normalmente, as perguntas das provas de QI avaliam apenas algumas das muitas áreas que constituem a nossa inteligência, procurando detectar se a pessoa é capaz de articular ideias, associar juízos e valores e resolver problemas lógico-abstractos, análise de dados e cálculo. Ficam de fora disciplinas como história, biologia e o chamado "conhecimento geral". Actualmente, os psicólogos encaram o QI como apenas mais um factor na avaliação da inteligência.

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