Enquanto se fala da COVID-19, há assuntos que não têm tido tanto destaque na imprensa mundial: os EUA bombardearam um grupo extremista na Somália, a Venezuela acusou os EUA de quererem avançar para um conflito armado e, na China, ainda está por explicar a libertação de um advogado dos direitos humanos.

No norte de África, centenas de migrantes de origem subsariana forçaram a fronteira entre Marrocos e Melilla - foi a tentativa mais "violenta" dos últimos meses. Além disso, na costa da Líbia, 150 migrantes foram resgatados esta semana. Para onde vão ainda é uma incógnita.

150 migrantes resgatados no Mediterrâneo

Só nos últimos dois dias foram resgatados 150 migrantes na costa da Líbia pelo navio "Alan Kurdi", incluindo crianças e mulheres grávidas.

O navio da organização não-governamental alemã Sea Eye é a única embarcação humanitária no Mediterrâneo Central depois de as autoridades italianas terem forçado os navios de outras ONG a retirarem-se. O "Alan Kurdi" estava parado há dois meses.

Na primeira operação, levada a cabo na segunda-feira, foram resgatadas 68 pessoas, enquanto um navio com a bandeira da Líbia atirava tiros para o ar. Na madrugada de terça-feira, o "Alan Kurdi" salvou 82 migrantes à deriva num barco de madeira, que o navio "Asso Ventinove", que estava na área, se recusou a salvar.

Itália e Malta não aceitam migrantes

O navio humanitário aguarda agora, a 40 quilómetros da ilha italiana de Lampedusa, por um porto para desembarcar os migrantes. Itália e Malta já indicaram à Alemanha, o país cuja bandeira o navio "Alan Kurdi" ostenta, que não vão permitir o desembarque de migrantes devido à situação da epidemia de COVID-19 nos dois países.

O último desembarque de migrantes em Itália ocorreu a 26 de fevereiro na Sicília. Segundo a Agência da ONU para Refugiados (ACNUR), quase 800 pessoas partiram da Líbia em março. Cerca de 600 foram deportadas de volta para a Líbia pela guarda costeira libanesa.

Na Grécia, dois campos de refugiados estão em quarentena após registarem casos do novo coronavírus. No campo de Ritsona, a 75km de Atenas, há pelo menos 23 casos positivos. O campo de Malaka, no norte de Atenas, também já identificou um caso de COVID-19.

Associações como os Médicos Sem Fronteiras (MSF) e a Organização Internacional para as Migrações (OIM) voltaram a colocar a situação dos refugiados no mapa, alertando para a falta de condições sanitárias dos sobrelotados campos de refugiados na Grécia. Apelam à retirada imediata dos refugiados dos campos para locais seguros. A situação dos migrantes que continuam a tentar chegar à Europa foi, contudo, atirada para segundo plano da agenda política internacional.

300 migrantes forçam fronteira em Melilla

No norte de África, cerca de 300 pessoas de origem subsariana forçaram a barreira de separação da cidade autónoma espanhola de Melilla na madrugada de segunda-feira. Mais de 50 conseguiram atravessar a fronteira, dirigindo-se depois para o Centro de Permanência Temporária de Imigrantes (CETI). A entrada foi-lhes negada, até ao momento.

De acordo com fontes policiais espanholas, a tentativa de cruzar a linha de fronteira com Marrocos foi a mais "violenta" dos últimos meses, tendo os migrantes atirado pedras às forças policiais. Um agente da polícia ficou levemente ferido e dois migrantes foram presos.

Durante os primeiros três meses de 2020, 1.140 migrantes conseguiram entrar nos enclaves por terra, segundo dados do Ministério do Interior da Espanha. Na semana passada, as Forças Armadas espanholas, em colaboração com a Guardia Civil, foram destacadas para a região.

A situação da Covid-19 tornou mais preocupante a situação dos 50 mil migrantes com autorização de residência em Marrocos. A maioria trabalha no setor informal e não é contemplada pelos apoios financeiros que o Estado introduziu neste mês de bloqueio para contolar os impactos económicos e sociais da pandemia.

EUA bombardearam posições do grupo al-Shabab na Somália

No sul da Somália, na zona de Xawaaalo, morreram cinco elementos do grupo extremista islâmico al-Shabab na sequência de um ataque aéreo dos Estados Unidos na semana passada. O bombardeamento foi efetuado pelo Comando Militar para África das Forças norte-americanas (AFRICOM).

Apesar do Ministério de Informação assegurar que a população civil não foi afetada, a Amnistia Internacional (AI) tem dúvidas de que isto seja verdade. A ONG afirma ainda que tem provas de que o AFRICOM matou dois civis e feriu outros três em ataques aéreos ocorridos no passado mês de fevereiro.

Os EUA anunciaram entretanto a morte de um dos líderes do grupo extremista, Yusuf Jiis.

Trump quer atacar a Venezuela? Maduro diz que sim

O Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, dirigiu no domingo uma carta aos norte-americanos, apelando a que travem as alegadas intenções de Trump de avançar para um conflito armado com a Venezuela e impeçam "outro Vietname ou Iraque perto de casa".

Na carta, Maduro explica que o Presidente dos EUA, "sob o pretexto da luta contra as drogas, ordenou o maior desdobramento militar dos Estados Unidos na região em 30 anos", a fim de levar a Venezuela a um "conflito bélico, custoso e sangrento de duração indefinida".

Juntamente com o cessar das ameaças militares, Maduro pede "o fim das sanções ilegais e do bloqueio que restringe o acesso a apoios humanitários, tão necessários hoje no país". Para Maduro, esta é uma "cortina de fumo" de Trump para ocultar a sua fraca atuação na resposta à emergência da Covid-19, cuja importância "subestimou e negou".

EUA propõem governo de transição na Venezuela. UE apoia

Os EUA pediram, na terça-feira, a Juan Guaidó para renunciar à Presidência da Venezuela até à realização de novas eleições.

A estratégia norte-americana pretende que tanto Juan Guaidó como Nicolás Maduro renunciem imediatamente ao poder executivo. Num período de transição, o poder seria confiado a um Conselho de Estado construído por deputados dos dois partidos e que têm assento no parlamento venezuelano.

Em troca, os EUA prometem levantar progressivamente as sanções consoante o ritmo da implementação deste governo de transição.

A União Europeia (UE) considerou na última sexta-feira passsada que o plano dos Estados Unidos para este governo de transição na Venezuela está em linha com a solução pacífica preconizada pelos Estados-membros, e que está pronta para contribuir.

O governo de Maduro, em comunicado, recusou este apoio esperando que a UE levante as "sanções ilegais contra a Venezuela" por parte dos EUA.

Direitos humanos na China: Libertação do advogado Wang Quanzhang

O advogado chinês Wang Quanzhang, especializado em direitos humanos, saiu da prisão no domingo (05.04) onde cumpria uma pena por "subversão contra o Estado", condenação frequentemente usada pelo Governo chinês contra ativistas e dissidentes.

Wang foi detido em 2015 e encontra-se atualmente em casa em Jinan (leste), para onde foi transferido pela polícia. Por agora desconhecem-se mais pormenores sobre o estado de Wang ou sobre se será obrigado a ficar de quarentena em sua casa.

A organização Serviço Internacional de Direitos Humanos (ISHR) mostrou-se preocupada com a libertação do advogado por estar a ser "tudo menos incondicional" e teme que "lhe sejam restringidas gravemente as suas liberdades pessoais, incluindo a de movimento".

Apesar de Wang viver e trabalhar em Pequim antes de ter sido detido, a organização ISHR já temia que Wang fosse levado para Jinan, "longe das redes de apoio e dos diplomatas (estrangeiros)" da capital.

Wang Quanzhang, detido em março de 2015, foi apenas um dos 250 advogados e ativistas detidos no âmbito da "Campanha 709". Esta acção começou em julho de 2015 pelo regime comunista e era direcionada a escritórios de advogados especializados em casos de direitos humanos.

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