O algodão em Moçambique é basicamente produzido nas regiões Centro e Norte do país, por cerca de 300.000 famílias rurais, criando cerca de 20.000 empregos na sua cadeia de produção e de valor. É o 2º maior produto de exportação na área agricola e é produzido com insumos de produção a crédito, assistência técnica ao produtor e comercialização respeitando preço mínimo oficial.

Os recentes desenvolvimentos na indústria algodoeira em oçambique apontam para um cenário optimista, pois, a recente reorganização do subsector, nomeadamente a organização dos privados em Associação Algodoeira de Moçambique (AAM), a entrada de novos operadores económicos, com vasta experiência, com domínio do mercado internacional, com capacidade financeira para fazer face aos choques de preços internacionais abrem boas perspectivas para arranjos institucionais de privados e camponeses capazes de interagir com o sector público na formulação de políticas e estratégias do subsector, diz o estudo realizado por Norberto Mahalambe, director do IAM, sobre a indústria algodoeira no país.

Intitulado “Indústria do Algodão em Moçambique-Aprendizagem Conjunta, Crescimento Conjunto, o estudo sublinha que a auto-organização dos camponeses e a sua recente aglutinação num Fórum Nacional de Produtores do Algodão (FONPA), concorrem também para este cenário optimista do subsector. Aliás, já este quadro de interacção, se bem que ainda na sua fase informal, foi vital para o desenvolvimento do Plano de Acção Estratégico para o Desenvolvimento do Algodão ora em implementação.

Este plano, resulta dum processo longo e participativo, que envolveu um número de consultores internacionais, que diagnosticaram o sub-sector e identificaram 10 eixos de intervenção dentro da cadeia produtiva do algodão, que merecem investimentos concertados e acções mutualizadas. Tais eixos incluem a investigação agronómica para o sistema de produção de algodão, o sistema de semente, o apoio ao movimento auto-organizacional dos produtores e o apoio às empresas algodoeiras para que desempenhem actividades ligadas ao desenvolvimento rural.

Os outros eixos têm a ver com a modernização do sistema de classificação da fibra do algodão, a melhoria dos mecanismos de fixação do preço mínimo do algodão, melhoria do desempenho das concessões algodoeiras, o desenvolvimento de um sistema de informação do subsector do algodão, a promoção da imagem do algodão moçambicano no mercado internacional, o desenvolvimento institucional do IAM, as negociações comerciais internacionais, reabilitação da indústria têxtil e gestão de choques e crises no processo produtivo do algodão.

Em Moçambique, segundo o engenheiro Mahalambe, a cultura do algodão é praticada por mais de 300.000 famílias camponesas, de cinco membros cada, representando por isso fonte segura de rendimento para mais de 1.500.000 habitantes rurais.

Da renda resultante da venda do algodão, as famílias compram alimentos, roupas, produtos de consumo de primeira necessidade, instrumentos e insumos agrícolas, suportam custos de acesso à educação das crianças, à saúde das famílias, incluindo mulheres grávidas, crianças, dentre outras facilidades. É assim que a cultura do algodão se torna grande instrumento da luta contra a pobreza rural.

Cerca de 10 empresas têm no algodão a sua actividade central, caracterizando-se por investimentos em fábricas de descaroçamento, facilidades de armazenamento, escritórios, meios de transporte e equipamento de produção agrícola. Cada empresa algodoeira representa um investimento de não menos de 1.500.000 USD.

Fonte: Instituto do Algodão de Moçambique