“Para a minha juventude, a palavra que está na minha cabeça agora para os próximos cinco anos é emprego”, disse Filipe Nyusi, falando para uma multidão no campo do Ferroviário da Beira, em Sofala, centro de Moçambique.

O candidato da Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo), partido no poder desde a independência do país (1975), lembrou que a palavra-chave do seu último mandado foi paz e o país conseguiu alcançar esse objetivo, em alusão a assinatura neste mês do Acordo de Paz e Reconciliação Nacional com a Resistência Nacional Moçambicana (Renamo).

A palavra paz “continuará a ocupar um espaço na minha cabeça porque é algo que tem de ser consolidado sempre. Mas agora, o emprego é o novo desafio”, frisou Nyusi, acrescentando que os membros e simpatizantes da Frelimo têm em outubro a “obrigação de mostrar que com Nyusi e com a Frelimo o país avança”.

Nascido em Namua, distrito de Mueda, na província de Cabo Delgado, Filipe Jacinto Nyusi, 60 anos, venceu as presidenciais de 2014 com 57,03% dos votos, derrotando o falecido líder da Renamo Afonso Dhlakama, com 36,61%, e Daviz Simango, do Movimento Democrático de Moçambique (MDM), com 6,36%.

Nyusi tem a marca de ter sido o primeiro Presidente moçambicano sem protagonismo direto na luta da libertação de Moçambique, embora seja filho de guerrilheiros.

Quando jovem, viveu com os pais na Tanzânia, numa das principais bases de treino de novos guerrilheiros para combater o colonialismo português.

Descrito como um aluno brilhante, com fortes inclinações para matemática e geografia, Nyusi estudou na antiga Checoslováquia, onde se licenciou em engenharia mecânica, no Reino Unido, na África do Sul e nos Estados Unidos.

Além de Filipe Nyusi, para as presidenciais concorrem Ossufo Momade, atual líder da Renamo, principal partido da oposição, Daviz Simango, do MDM, terceira força política no parlamento, e o candidato do partido extraparlamentar Ação do Movimento Unido para a Salvação Integral (AMUSI), Mário Albino.

Para as legislativas e provinciais concorrem 26 formações políticas, mas Frelimo, Renamo e o MDM são os que têm maior pujança para aguentar a dura jornada de 45 dias de campanha eleitoral pelos 11 círculos do extenso território nacional e o da diáspora.

As eleições gerais de 15 de outubro vão, pela primeira vez, escolher os governadores das 10 províncias do país, que sairão dos cabeças-de-lista dos partidos concorrentes.

A eleição dos governadores provinciais é uma novidade que decorre da aprovação de um novo pacote de descentralização, no âmbito das negociações para o Acordo de Paz e Reconciliação Nacional de Maputo, assinado entre o Governo e a Renamo no dia 06 deste mês.

A CNE estima o custo do pleito em 14,6 mil milhões de meticais e o Governo já assegurou 56% do orçamento, enfrentando um défice de 44%.

Na quinta-feira, o porta-voz da CNE, Paulo Cuinica, disse à Lusa que o órgão aprovou 180 milhões de meticais para os 26 partidos concorrentes, uma verba que será canalizada por etapas.

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