"Desafiamos o comando da Isedef e todo o corpo docente a realizar um estudo de caso sobre o 'modus operandi' dos malfeitores em Moçambique, as motivações e a atitude a ser aconselhada as populações, disse o chefe de Estado.

Nyusi falava durante a cerimónia de graduação de militares do Isedef, na cidade da Matola, na província de Maputo, no sul do país.

O chefe de Estado exigiu ainda que aquela instituição militar de ensino seja proactiva na busca de soluções para o país.

"Queremos do comando da Isedef e todo o corpo docente uma atitude proativo na busca de soluções inovadoras para o bem do país e dos moçambicanos", observou Filipe Nyusi.

A violência em Cabo Delgado, norte de Moçambique, cresceu após um ataque à vila de Mocímboa da Praia, em outubro de 2017, por um grupo baseado numa mesquita local que pregava a insurgência contra o Estado e cujos hábitos motivavam atritos com os residentes, pelo menos, nos últimos dois anos.

O mesmo tipo de conflito e recrutamento, promovido com o apoio de muçulmanos estrangeiros, foi relatado noutras mesquitas da região no mesmo período.

Analistas ouvidos pela Lusa dividem-se quanto à justificação destes ataques, entre os que dizem haver ligações estrangeiras a crime organizado - rotas de tráfico de heroína, rubis, marfim e outros produtos que passam por Cabo Delgado -, terrorismo ou outras razões.

Entre outras causas apontam uma revolta popular face à pobreza, antigas disputas de território entre etnias ou ainda manipulação política, visando desestabilizar Moçambique, numa altura em que petrolíferas investem em gás natural, em Cabo Delgado.

Os ataques, que já provocaram quase 100 mortos, têm ocorrido sempre longe de zonas asfaltadas (com exceção do ataque inicial a Mocímboa da Praia) e fora da área de implantação da fábrica e outras infraestruturas das empresas petrolíferas que vão explorar gás natural, na península de Afungi, distrito de Palma.

As autoridades moçambicanas e tanzanianas têm vindo a anunciar, desde final de 2017, a detenção de suspeitos de ligação a esta onda de violência e está a decorrer em Pemba, capital provincial de Cabo Delgado, um julgamento com 200 arguidos.

Criado em 2011, o Isedef tem como principal objectivo formar membros das Forças de Defesa de Moçambique (FADM), apoiando, através da pesquisa científica, o país com a formulação de estratégias de defesa e segurança.