Filipe Nyusi tem prevista uma deslocação ao distrito de Muidumbe, um dos afectados pelos ataques armados, para além de encontros com o Conselho de Ministros e membros do Governo provincial, na cidade de Pemba.

Os ataques armados serão o tema dominante nesses encontros e nos comícios que Filipe Nyusi vai ter com residentes.

Esta é a segunda deslocação do presidente moçambicano a Cabo Delgado, vista como um esforço para tentar conter a acção dos insurgentes, que segundo relatos locais e referências passadas pelas autoridades, terão resultado na morte de, pelo menos, 400 pessoas, entre agressores, população e militares.

Refira-se que Filipe Nyusi esteve, recentemente, em Cabo Delgado, poucos dias depois de um grande ataque dos insurgentes ao distrito de Quissanga.

Macomia mais afectado

Num relatório divulgado semana passada, e que deverá ser analisado no encontro dirigido pelo Presidente da República, o Governo provincial de Cabo Delgado diz que os ataques armados já afectaram 156. 400 pessoas, sem, no entanto, fazer qualquer referência ao número de mortos.

Os ataques armados em Cabo Delgado eclodiram em 2017 nalguns distritos, e na sequência de ofensivas militares, os insurgentes começaram a dispersar-se e a atacar zonas mais distantes dos locais onde se registaram os primeiros ataques.

“Isso obriga a que o combate aos atacantes seja feito de forma coordenada, entre as diferentes instituições, atacando as questões de naturezaa económica, social e militar”, defende o economista João Mosca.

Entretanto, o relatório do Governo provincial indica que, do universo de pessoas afectadas, o maior número pertence ao distrito de Macomia, com 29 por cento; seguido de Quissanga, 25 por cento; Mocímboa da Praia, 19 porcento; e Palma, 13 por cento, num total de nove distritos atacados.

Insegurança alimentar

O impacto da violência armada em Cabo Delgado levou à elaboração de um Plano Integrado de Resposta Humanitária para aquela província, com o apoio da Cooperação Suiça e que está a ser divulgado junto de parceiros e outros intervenientes no processo de resposta.

O relatório destaca grandes perdas na agricultura, com abandono de campo e perda de sementes, com reflexo no aumento da insegurança alimentar, além de uma migração de pescadores para zonas seguras.

O Governo aponta como principais constrangimentos uma insuficiência de recursos financeiros para “actividades de acompanhamento e monitoria do processo de recuperação das famílias afectadas, além de um aumento da frequência dos movimentos dos malfeitores, dificultando acções de assistência humanitária”

Os próximos desafios consistem em garantir a implementação dos projectos a serem desenvolvidos em Cabo Delgado, com financiamento da Organização Internacional para as Migrações.

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