"O mais tardar no início de Agosto a cessação definitiva ou acordo de paz definitiva tem de ser celebrado", referiu Nyusi, à saída de um encontro com o presidente da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo) em Chimoio, capital da província de Manica, no interior centro do país.

Se assim for, "até às eleições [marcadas para 15 de Outubro] a população saberá que a paz definitiva foi celebrada e há de ser um grande momento", acrescentou o chefe de Estado.

O líder da Renamo apontou na mesma direção.

"Gostaríamos que, em agosto, pudéssemos ter o acordo de cessar-fogo", referiu e, nesse sentido, o encontro de hoje, em Chimoio, foi "muito importante para o país e para o mundo".

"Vamos realizar eleições sem que tenhamos as forças da Renamo nas matas. Vamos desmobilizar e outra parte vai para a Polícia da República de Moçambique (PRM)", concluiu.

Moçambique realiza eleições gerais a 15 de outubro, para o parlamento, para a presidência - com Nyusi e Momade como candidatos - e, pela primeira vez, para governadores provinciais, que deixam de ser nomeados pelo poder central.

Filipe Nyusi admitiu que ainda este mês ou no próximo haja novo encontro de concertação.

"Podíamos fazer o acordo hoje ou amanhã, mas preferimos fazer as coisas como devem ser", referiu, destacando a necessidade de tornar o processo "credível".

Junho deverá ser o mês do arranque operacional do processo de desarmamento dos guerrilheiros da Renamo, com "concentração das tropas" e com a devida "documentação", assinalou, sendo que todas as armas devem estar entregues para se assinar o acordo.

"Naturalmente há aspetos jurídicos que têm de nortear isso. Por exemplo, uma das questões que temos de ver é a da lei da amnistia. Tem de ser criada", acrescentou o Presidente moçambicano, por forma a que os que largam as armas tenham a certeza de que “não vão ser perseguidos aqui ou acolá".

Nyusi e Momade discutiram ainda a necessidade de angariar apoios, de um lado e outro, para a organização de uma conferência de doadores para suportar os custos do processo de reintegração dos guerrilheiros da Renamo.

O enquadramento de Ossufo Momade no final do processo, depois de assinada a paz, é outro assunto a discutir, disse Nysui, acrescentando que o líder da Renamo não pode continuar a viver "na Gorongosa, no mato, toda a vida: tem de sair", numa alusão ao refúgio do líder da oposição, junto dos guerrilheiros.

"Como fica, como vive e qual o tratamento que deve ter para fazer o trabalho político?", questionou Nyusi, assinalando os pontos que estão em cima da mesa de discussão.

O encontro de hoje em Chimoio vem na sequência de outros encontros entre ambos realizados em Maputo a 27 de fevereiro e 7 de março.

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