"Estamos em contacto com organismos internacionais e já há várias instituições dos direitos humanos que se estão a juntar à nossa causa. Queremos a libertação dos nossos delegados de candidatura, que estavam apenas a fazer o seu trabalho", disse à Lusa Quitéria Guirengane, mandatária nacional do Nova Democracia (ND).

Os 18 membros do partido, 17 dos quais delegados de candidatura e um mandatário distrital, foram detidos em 15 de outubro, no dia do escrutínio, em postos de votação distribuídos pelo distrito de Chokwé, alegadamente por falsificação de credenciais.

Entre os detidos, parte considerável são jovens em idade escolar, que, segundo a mandatária da ND, correm o risco de perder os exames finais e, consequentemente, o ano letivo.

"São jovens que só ousaram lutar e sonhar com um Moçambique diferente", acrescentou Quitéria Guirengane.

O ND submeteu no dia 01 de novembro um recurso junto do Conselho Constitucional exigindo a libertação dos seus membros, após um primeiro documento ter sido rejeitado pelo Tribunal Distrital de Chokwé.

A ND é um partido composto maioritariamente por jovens e que concorreu, pela primeira vez este ano, apenas para as eleições legislativas.

Foi na província de Gaza que a Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo) teve a vitória mais expressiva nas eleições gerais e provinciais de 15 de outubro.

O candidato à presidência, Filipe Nyusi, arrecadou 94,74% dos votos e a Frelimo chegou a 94% nas eleições para a Assembleia da República e ficou com 81 dos 82 mandatos da assembleia provincial.

A quase duplicação do número de eleitores recenseados em Gaza, bastião da Frelimo, foi questionada pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) e por missões de observação, entre elas a União Europeia e EUA, mas tal não interferiu na validação dos resultados pelos órgãos eleitorais.

Na mesma província, Anastácio Matavel, um dos dirigentes locais de observação eleitoral, foi abatido a tiro uma semana antes das eleições por um grupo de polícias que está agora a ser investigado pelas autoridades.

A nível nacional, os resultados eleitorais anunciados pela CNE, no domingo, em Maputo, deram larga vantagem à Frelimo, cujo candidato foi reeleito à primeira volta para um segundo mandato como Presidente, com 73% dos votos.

Para o parlamento, a Frelimo conseguiu eleger 184 dos 250 deputados.

A Resistência Nacional Moçambicana (Renamo), principal força de oposição, contestou os resultados e apresentou um recurso junto do Conselho Constitucional (equivalente ao Tribunal Constitucional), apontando alegadas irregularidades no processo eleitoral.

Também o MDM, terceira força política parlamentar, declarou não aceitar os resultados, alegando fraude generalizada e exigindo uma auditoria aos órgãos eleitorais.

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