"Eu gostaria que o papa fizesse uma oração forte para que aquela confusão em Cabo Delgado parasse e que o meu filho voltasse para casa, para que eu o veja", diz à Lusa.

Gina, 57 anos, tem uma banca de venda informal à porta do Estádio Nacional do Zimpeto, principal palco desportivo do país e que na sexta-feira de manhã se transformará em templo para uma missa campal celebrada pelo Papa.

"Há duas semanas houve uma confusão lá em Cabo Delgado. Ele escapou", descreve à Lusa.

Há um ano que não vê o filho e acredita que "se o Papa vier abençoar [Moçambique], acho que essa confusão pode parar".

Bênçãos à parte, é com a venda informal que se governa no dia-a-dia e esta semana a receita será menor: As autoridades municipais proibiram o comércio no local, no dia da celebração campal.

"Na semana passada estiveram aqui a fazer uma pequena missa e quando tiveram fome vieram comer nas nossas bancas. Também gostaríamos de estar aqui no dia da missa, mas não podemos", lamentou, enquanto organiza chamuças e bolos para a clientela.

No estádio, o palco já toma forma com panos brancos, e o desenho do mapa de Moçambique com uma cruz.

O relvado também já está coberto um pavimento branco vai servir para colocar centenas de cadeiras para convidados, além de todas as bancadas e zonas em redor: são esperadas cerca de 80 mil pessoas.

Ali por perto, Zaida Mongane, 53 anos, também se queixa de não poder vender os seus produtos na sexta-feira, mas considera que o mais importante é que o Papa "abençoe os moçambicanos" e o seu pequeno negócio de venda de pilões, para descascar arroz e moer alimentos.

"Nós queremos que o Papa faça uma oração para que o nosso negócio não pare", acrescenta, realçando a importância da paz para o país prosperar.

As preocupação de Gina Muchanga e Zaida Mongane são comuns a outros moçambicanos: a paz é condição vital para o desenvolvimento.

"Estamos nesse processo de reconciliação e a vinda do papa vai dar mais brilho à paz", observa Meque Samboco, 28 anos, em alusão ao acordo assinado a 06 de agosto entre o Governo e a Resistência Nacional Moçambicana (Renamo), oposição.

"O Papa é uma figura incontornável. Para nós é uma mais-valia em termos de bênçãos", refere o estudante de Ciências da Educação, em Portugal, e que teve "a sorte" de ter as suas férias no mesmo período da visita de Francisco a Moçambique.

O governo decretou tolerancia de ponto na sexta para toda a gente poder ir à missa no Zimpeto.

A visita do Papa decorre de quarta a sexta-feira.

Numa mensagem vídeo de antecipação da visita divulgada na sexta-feira em Maputo, o Papa Francisco pediu uma reconciliação fraterna e definitiva para que a paz seja duradoura em Moçambique.

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