Micaela Mortar Zangatupe, 58 anos de idade, é a primeira poliandra conhecida no país. Ela tem dois maridos, com quem partilha o amor e convive na mesma casa, num à-vontade, no distrito de Caia, província de Sofala.

Numa entrevista concedida ao “Diário de Moçambique”, cada esposo declarou que Micaela é sua “cara-metade”. Aliás, a própria mulher disse: “eu amo estes dois homens, por isso, achei por bem casar e viver com eles aqui em casa”.

Questionada se os dois homens são seus maridos, responde, “sim”, explicando que se casou primeiro com Feliz Toalha, com quem vive há vários anos.

O segundo marido, João Maguza passou a ser, “oficial”, a partir de Abril do ano passado. Antes da “oficialização”, ela contou que eram simplesmente amantes.

As relações amorosas entre Micaela e Maguza começaram há muito tempo, eles se conheceram no mercado onde Micaela Zangatupe vende alguns produtos.

“Depois achei que ele deveria ser o meu segundo esposo. Por isso, convidei-o para a casa e apresentei-lhe o Feliz” — explicou, justificando que “tomei esta decisão porque eu já estava a passar mal, visto que Feliz já não consegue fazer trabalho aqui em casa” (risos).

Interrogada sobre os trabalhos que Feliz faz em casa, responde, “uma vez que está cego, já não consegue construir uma casa e também não consegue fazer alguma coisa que possa render dinheiro para o nosso sustento. Por isso, arranjei outro marido que não é deficiente visual, este senhor, João Maguza. Estave a sofrer muito, porque não conseguia nada para comer”.

Curiosamente, Micaela Zangatupe, camponesa, disse que gostaria que este trabalho jornalístico não quebrasse a relação que tem com os dois maridos, argumentando “eu amo-os... não posso largá-los, pois são meus maridos”.

Disse ainda que não pode abandonar o primeiro, porque passou por muitas dificuldades com ele, desde que se casaram. “Não vai ser hoje que vou abandoná-lo” — afirmou, acrescentando que “também não vou deixar este meu segundo marido, porque o amo”. A nível nacional, não é comum uma mulher ter mais do que um marido em simultâneo (poliandria), pois o habitual é um homem ter várias esposas ao mesmo tempo (poligamia).

Colocada esta questão, Micaela respondeu: — “Sim, mesmo na minha tradição, sou de Gorongosa, não há isso, mas não vejo onde está o problema, pois o importante é os dois homens não se chatearem, entenderem-se e saberem que estão com a mesma mulher, que lhes serve bem. Antes de trazer o segundo marido, conversei com o primeiro e ele concordou. Aliás, mesmo que não aceitasse, eu continuaria com o mesmo, porque foi minha vontade estar com dois maridos”.

SAPO com Jornal A Semana

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