"Como camponês espero mudanças, como apoio em adubos" disse à Lusa, Ilídio Bento, de 35 anos, à saída de uma assembleia de voto nos arredores de Chimoio.

Além do trabalho de subsistência, na terra, centro da vida de todos quantos por ali passam para votar, Ilídio espera com o seu voto influenciar políticas sociais, tais como as que regem o acesso à energia e água no seu bairro.

Nestas eleições a polícia proibiu o uso de pedras para marcar filas nas assembleias de voto, o que levou vários eleitores a chegar de madrugada.

Mal o sol nasceu, já havia longas filas que continuavam até ao fim da manhã nas escolas dos bairros de Trangapasso, Centro Hípico, Heróis Moçambicanos e Agostinho Neto, junto à capital provincial de Manica.

"Com o meu voto gostava que houvesse paz, para voltarmos a ter uma vida sossegada, conseguirmos fazer machambas [hortas] e circular nas estradas à vontade" disse à Lusa, Maria Corneta, que esperou por três horas numa fila para votar.

"Também quero que as escolas funcionem" acrescentou a camponesa de 64 anos, em alusão à educação.

Na ronda efetuada pela Lusa em várias assembleias de voto da região, os presidentes das mesas tentaram impedir jornalistas de captar imagens no interior, supostamente por orientações superiores.

A maioria dos incidentes ficou ultrapassado com a intervenção de agentes da polícia no local.

No seu primeiro encontro com a imprensa local, a organização Sala da Paz, que junta associações da sociedade civil na observação eleitoral, reportou a existência de muitos membros de mesas de voto embriagados.

Um total de 13,1 milhões de eleitores moçambicanos são hoje chamados a escolher o Presidente da República, 250 deputados do parlamento e, pela primeira vez, dez governadores provinciais e respetivas assembleias.

As sextas eleições gerais de Moçambique contam com quatro candidatos presidenciais: o atual Presidente da República, Filipe Nyusi (Frente de Libertação de Moçambique - Frelimo), que concorre a um segundo mandato; o novo líder da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo), Ossufo Momade; o líder do Movimento Democrático de Moçambique (MDM), Daviz Simango, e o candidato do partido extraparlamentar Ação do Movimento Unido para a Salvação Integral (AMUSI), Mário Albino, este último com uma campanha limitada a alguns pontos de Nampula, província do Norte.

Às eleições legislativas e provinciais apresentaram-se 26 partidos, mas só os três partidos com assento parlamentar no país (Frelimo, Renamo e MDM) concorrem nos 11 círculos eleitorais do território nacional, que se estende por 2.000 quilómetros, mais dois círculos da diáspora (África e resto do mundo).

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