O porta-voz de Afonso Dlhakama, António Muchanga, foi preso no princípio da tarde desta segunda-feira, 7, à saída da Presidência da República de Moçambique, instantes depois do Conselho de Estado, onde também é membro.

Segundo o ‘Canalmoz’,  António Muchanga teria sido o primeiro a falar após o Conselho do Estado, contrariando o que supostamente estava traçado, ou seja, que seria o porta-voz do gabinete do Presidente da República a dar o briefing do encontro.

Em seguida, Muchanga foi preso já no decurso da conferência de imprensa que visava colocar os jornalistas a par do que aconteceu durante a reunião do Conselho do Estado. Ele foi conduzido para as celas do Comando da Polícia da República de Moçambique (PRM) na cidade de Maputo, a poucos metros das instalações da Polícia de Investigação Criminal (PIC) e do Ministério do Interior (MINT).

Entretanto, segundo o Canalmoz, o porta-voz de Afonso Dhlakama fazia-se transportar na mesma viatura que Manuel Lole, outro membro do Conselho de Estado e seu correligionário, quando, de repente, foi cercado por agentes da polícia que “o retiraram do interior e levaram-no” preso.

Gilberto Chirindza, do Gabinete de Imprensa da Renamo, confirmou a detenção, mas disse que o partido ainda não sabe que motivos estão na origem do sucedido.

António Muchanga foi recorrentemente acusado pelo Governo de incitar à violência e de recorrer à imprensa para o efeito, sobretudo, quando anunciou o cessar-fogo que unilateralmente tinha sido decretado pelo seu partido em relação a guerra que assola o centro de Moçambique, com maior incidência no troço entre Muxúnguè e o Rio Save.

Na reunião do Conselho de Estado o principal ponto da agenda foi a retirada da imunidade a António Muchanga.

Houve conselheiros que desaconselharam ta medida, mas o Presidente da República, Armando Guebuza, tomou a decisão unilateralmente sem o ponto ser discutido em profundidade, segundo adiantou o Canalmoz.

Recorde-se que um outro membro do maior partido da oposição, o brigadeiro Jerónimo Malagueta, director do Departamento de Informação da Renamo, foi detido em Julho de 2013 dois dias depois de ter anunciado, numa conferência de imprensa, que os homens armados da Renamo iriam impedir a circulação de pessoas e bens na Estrada Nacional Número Um (EN1) e de comboios nas linhas de Sena e Marromeu como forma de não permitir movimentos das Forças de Defesa e Segurança e seu equipamento em direcção à Sathundjira, onde o seu líder, Afonso Dhlakama, se encontrava a residir antes desta ter sido tomada em assalto pelas forças governamentais.

SAPO com Canalmoz