"Na sequência de notícias públicas e veiculadas em como o aumento da taxa de direitos de importação do leite, produtos lácteos e sumos naturais, entrado em vigor com a Lei do Orçamento de Estado para o ano económico de 2018, teve como finalidade específica favorecer uma concreta empresa da qual o ministro das Finanças e vice-primeiro-ministro foi administrador e acionista, foi determinado, na Procuradoria-Geral da República, a abertura de um processo de averiguação", adiantou a PGR em resposta a uma pergunta da agência Lusa.

No âmbito do processo, adianta a PGR, têm sido "realizadas diligências de recolha de elementos com vista à apreciação e decisão final".

O ministro das Finanças e também vice-primeiro-ministro, Olavo Correia, tem 10% de ações repartidas por duas empresas de um mesmo grupo e está a ser acusado pelo Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV), na oposição, de favorecimento, nomeadamente através do aumento das taxas alfandegárias para os laticínios e sumos de frutas e do arrendamento de um imóvel para a instalação de um serviço dependente do Ministério das Finanças.

Na origem das acusações, está o facto de, coincidindo com o aumento dos direitos de importação dos laticínios, ter surgido no mercado cabo-verdiano uma nova marca de leite e sumos produzida pela Tecnicil Indústria, uma das empresas do referido grupo, no qual Olavo Correia também foi administrador até ir para o Governo.

O maior partido da oposição pede a demissão do ministro, mas o primeiro-ministro Ulisses Correia e Silva garantiu, na terça-feira, que Olavo Correia não sai.

Abordado por diversas vezes pela agência Lusa, o ministro das Finanças e vice-primeiro-ministro vem remetendo explicações sobre este assunto para mais tarde.

O jornal "Nação" tinha noticiado há duas semanas a existência de uma investigação do Ministério Público a este caso.

Na sua rede favorita

Siga-nos na sua rede favorita.