A morte de Malangatana, aos 74 anos, foi hoje, 5 de Janeiro, lamentada por artistas, amigos, políticos e entidades oficiais que sublinharam o carisma e humanidade do pintor, ao mesmo tempo que assinalaram a grande perda para a cultura lusófona.                                                

Malangatana Valente Ngwenya, nascido a 06 de junho de 1936, em Matalana, Maputo, faleceu às 03:30 de 5 de Janeiro, no Hospital Pedro Hispano, em Matosinhos, Portugal, vítima de doença prolongada.

O corpo vai ser trasladado nos próximos dias para Moçambique, onde decorrerão as cerimónias fúnebres, segundo entidades oficiais.

Poucas pessoas sabiam que estava gravemente doente, e por isso foi uma surpresa e um choque para os moçambicanos e os portugueses, os povos com quem mantinha os laços mais fortes.

Para o Governo, a notícia também foi uma "surpresa" recebida com “profunda tristeza”, e o ex-Presidente Joaquim Chissano considera que “a cultura está desfalcada” de um “animador de cultura em todos os aspetos”.

Durante as entrevistas, o pintor repetia várias vezes estas palavras: ''Não tenho medo da morte...Só peço aos meus amigos que cuidem bem das minhas obras'', recorda a jornalista e escritora Rosa Langa.

Em vida, fez de tudo um pouco: foi pastor, aprendiz de curandeiro, empregado doméstico mas viria a notabilizar-se no mundo das artes, tornando-se num dos mais famosos artistas moçambicanos.

O pintor fez cerâmica, tapeçaria, gravura e escultura. Fez experiências com areia, conchas, pedras e raízes. Foi poeta, ator, dançarino, músico, dinamizador cultural, organizador de festivais, filantropo e até deputado, da FRELIMO, partido no poder em Moçambique desde a independência

Entre 1990 a 1994 foi deputado da FRELIMO e ao longo de décadas ligado a causas sociais e culturais. Foi um dos criadores do Museu Nacional de Arte de Moçambique, dinamizador do Núcleo de Arte, colaborador da UNICEF e arquitecto de um sonho antigo, que levou para a frente, a criação de um Centro Cultural na "sua" Matalana.

Expôs em Moçambique e em Portugal mas também mundo fora, na Alemanha, Áustria e Bulgária, Chile, Brasil, Angola e Cuba, Estados Unidos, Índia... Tem murais em Maputo e na Beira, na África do Sul e na Suazilândia, mas também em países como a Suécia ou a Colômbia.

Contando com as obras em museus e galerias públicas e em colecções privadas, Malangatana vai continuar presente praticamente em todo o mundo, parte do qual conheceu como membro de júri de bienais, inaugurando exposições, fazendo palestras, até recebendo o doutoramento honoris causa, como aconteceu recentemente em Évora, Portugal.

Foi nomeado Artista pela Paz (UNESCO), recebeu o prémio Príncipe Claus, e de Portugal levou também a medalha da Ordem do Infante D.Henrique. Em Portugal morreria também o pastor, mainato e pintor.

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