O TÊXTIL do Púnguè acaba de aceitar o pedido de desvinculação do treinador principal da equipa de futebol, Hilário Manjate, que  alega falta de condições de trabalho, de acordo com uma carta subscrita pelo técnico enviada à direcção dos "fabris".

Entretanto, outras informações obtidas pela Reportagem indicam que a colectividade deverá apresentar nos próximos cinco dias o novo treinador em substituição do demissionário, enquanto Abdul Taibo assegura interinamente a equipa.

Esta é a segunda vez que há "divórcio" entre a direcção daquela colectividade e o técnico, pois recentemente houve um outro rompimento de relações mas 24 horas depois a posição da direcção foi reconsiderada.

Na carta enviada pelo treinador, cuja cópia está em poder do "Noticias", este afirma que abraçou o projecto dos "fabris" em resposta ao pedido formulado pelo presidente da colectividade, Mahomed Akbar (Papú) com objectivo de garantir a manutenção da equipa no Moçambola.

Para tal, adianta, tornava-se imperioso que se criasse uma série de condições de trabalho, a exemplo de 25 bolas oficiais, três jogos de coletes de cores diferentes, duas balizas móveis com medidas regulamentares, igual número de balizas de futsal, 10 barreiras com medidas de 60 cm de altura por 70 cm de comprimento, outras 10 de 40 cm/60 cm, 20 estacas para treinos de mobilidade, um jogo de mecos (escalões ou "pratinhos”) para demarcação de campos reduzidos e outro jogo de cones para demarcação de pranchas de treinamento.

O demissionário treinador também assinala a necessidade de lanches depois dos treinos e refeições em caso de treinos bidiários, equipamento de treinos e de estágios. O técnico deveria ainda zelar pelo bom estado psicológico dos jogadores, oferecendo-lhes tratamento condigno.

"A falta de tudo isto (o tratamento que a direcção do clube dá aos jogadores bem como treinadores, salvo em alguns casos, deixa muito a desejar) que arrolei anteriormente faz com que o trabalho da equipa se torne muito difícil, porquanto tem sido ao ritmo das possibilidades e não como devia ser (…), estes constrangimentos trazem consequências nefastas para uma equipa a nível de resultados desportivos onde quem dá a cara é tão-somente o treinador principal", escreve Hilário Manjate.

O técnico termina escrevendo que “perante estes factos, eu Hilário Simeão Manjate, treinador de futebol ao serviço do Têxtil do Púnguè, em respeito aos superiores interesses do GDTP, tomo a liberdade de honestamente colocar o meu lugar à disposição da direcção para os devidos efeitos".

Em resposta à referida carta, a direcção dos "fabris" da Manga reuniu-se tendo dado a conhecer ao técnico que aceitava o seu pedido de colocar o lugar à disposição numa carta assinada pelo respectivo presidente, Mahomed Akbar.

"Em resposta a sua carta datada de 05 de Abril de 2012, cuja cópia anexamos, a qual passamos a citar (Colocação do lugar à disposição da Direcção), dirigida a direcção do Grupo Desportivo Têxtil do Púnguè, em que a mesma mereceu uma análise por parte desta direcção e decidiu aceitar o pedido com efeitos a partir de 11 de Abril de 2012", refere a resposta da direcção daquela colectividade assinada por Mahomed Akbar. No entanto, fontes do Têxtil do Púnguè disseram à nossa Reportagem que dentro dos próximos cinco dias deverá ser apresentado o novo timoneiro da equipa em substituição de Hilário Manjate que, como se sabe, cumpre uma suspensão de um mês num castigo imposto pela Liga Moçambicana de Futebol devido aos recentes pronunciamentos de que "há bandidos no futebol".

Jornal Notícias