"Baseado em vários relatos de atividade suspeita que o Departamento contra a Lavagem de Dinheiro transferiu para a PGR, um pedido de assistência legal recíproca da República de Moçambique que o Departamento Federal de Justiça delegou para execução na PGR em janeiro de 2018 e a PGR executou em 2019, bem como em mais informações, incluindo uma queixa criminal, a PGR abriu um procedimento criminal em fevereiro de 2020 por suspeita de lavagem de dinheiro", disse a PGR suíça em resposta à Lusa.

A investigação aberta em fevereiro, e agora conhecida, está ligada à concessão de empréstimos de empresas públicas em Moçambique e os procedimentos criminais estão a ser apresentados contra pessoas desconhecidas, não contra um ou várias pessoas específicas e ou entidades legais", acrescenta a PGR da Suíça.

"A PGR não fará mais comentários sobre estes procedimentos ou sobre mais passos processuais nesta altura", concluem as autoridades suíças, que dizem não haver prognóstico de prazos e remetem mais informações para Moçambique.

Em declarações à agência de informação financeira Bloomberg, um porta-voz do Credit Suisse, que têm três antigos diretores acusados de corrupção nos tribunais de Londres, disse que o banco "está a cooperar com todas as autoridades que estão a investigar estas matérias".

Estes empréstimos, concedidos a três empresas públicas moçambicanas (Ematum, ProIndicus e Mozambique Asset Management), estão no centro de um escândalo de corrupção que levou à suspensão da ajuda internacional, atirou Moçambique para um Incumprimento Financeiro ('default') por parte da agências de 'rating' e redundou numa crise económica e financeira.

O banco suíço alegou não ter conhecimento das atividades dos banqueiros e nega qualquer responsabilidade por conduta ilegal quando organizou os empréstimos, em 2013, e está agora em tribunal a esgrimir argumentos com as autoridades moçambicanas sobre a responsabilização no processo.

O banco russo VTB, a outra entidade financeira envolvida na transação, disse que não encontrou qualquer prova de irregularidades ou de pagamentos ilícitos e que está a cooperar com as autoridades.

Em janeiro, o banco russo colocou Moçambique em tribunal devido a incumprimento financeiro no pagamento dos empréstimos que foram organizados neste âmbito.

As dívidas ocultas estão relacionadas com empréstimos no valor de 2,2 mil milhões de dólares contraídos em 2013 e 2014 junto das filiais britânicas dos bancos de investimento Credit Suisse e VTB pelas empresas estatais moçambicanas Proindicus, Ematum e MAM.

Os empréstimos foram secretamente garantidos pelo governo moçambicano da altura, sem o conhecimento do parlamento e do Tribunal Administrativo e sem informação aos doadores internacionais.

Na sua rede favorita

Siga-nos na sua rede favorita.